De cada dez investigações da Polícia Federal (PF) na última década, oito terminaram sem identificar a existência de um crime ou apontaram um delito, ou não encontraram um autor para ser indiciado. A informação consta de dados obtidos pela coluna por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
A PF abriu 618 mil inquéritos entre janeiro de 2016 e 18 de junho de 2026, mostram os dados. Destes, 55 mil seguem em andamento. Há, portanto, 562 mil investigações concluídas.
Destas investigações, 79% (447 mil) terminaram ou sem a “materialidade” – a prova de que realmente aconteceu um fato considerado crime – ou até encontraram a o crime, mas faltou chegar à “autoria”. Ou seja, a polícia não descobriu quem cometeu o delito e, portanto, não indiciou essa pessoa.
Em 21% desses casos, a PF confirmou a ocorrência de crimes e identificou seus autores. Foram 115 mil inquéritos concluídos com a chamada “materialidade e autoria”. Como cada um desses inquéritos resultou no indiciamento de ao menos uma pessoa, isso significa que houve 115 mil indiciamentos de pessoas, a maioria brasileiros, nos últimos dez anos. Uma mesma pessoa pode ter sido indiciada mais de uma vez em inquéritos diferentes.
Nessas situações, o policial indicia pessoas em seu relatório e envia o inquérito à Justiça. O juiz o encaminha ao Ministério Público. O promotor ou procurador decide se oferece uma denúncia, arquiva o caso ou pede mais investigações à PF.
Os inquéritos da Polícia Federal
Período de janeiro de 2016 a abril de 2026
Situação — Quantidade de inquéritos
Em andamento: 55.681
Concluídos: 562.771
Concluídos sem autoria ou materialidade: 447.352 (79% dos concluídos)
Concluídos com autoria e materialidade (indiciamentos): 115.419 (21% dos concluídos)
Total: 618.452 inquéritos
Fonte: Polícia Federal. Elaboração: Metrópoles
Leia também
Os números se referem a todos os crimes investigados.
Com o terrorismo, a proporção de inquéritos que não encontram crimes e autores é semelhante à média geral, como mostrou o Metrópooles.

