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Justiça torna réus quatro presos por morte de jovem em rope jump

Radar Olhar Aguçado(há 27 minutos)
Justiça torna réus quatro presos por morte de jovem em rope jump

A Justiça de São Paulo tornou réus os quatro presos acusados pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, que foi arremessada, sem corda, da Ponte do Esqueleto durante a prática de rope jump, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior paulista.

Maicon Fernandes Cintra, Luis Felipe Feliciano Egoroff e Vitor de Freitas Gonçalves foram denunciados por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como CEO da empresa, também foi denunciada pela prática do mesmo crime, mas com omissão imprópria e fraude processual, já que tentou eliminar provas relevantes para a investigação.

A mulher também teve a prisão temporária convertida em preventiva pela Justiça. Na prática, ela seguirá presa em regime fechado até o fim do julgamento.

Além disso, o Tribunal de Justiça decidiu arquivar o processo contra Kauê Felipe Silva Silveira, Luís Gustavo de Oliveira, João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins. Eles não tiveram relação com a morte da jovem, conforme a investigação.

O que dizem as defesas

Em nota, a defesa de Maicon Fernandes e Luis Felipe Egoroff declarou que está ciente e discorda dos termos da denúncia. Segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, os denunciados não tiveram a intenção de matar a vítima, tampouco assumiram o risco.

“A defesa discorda das qualificadoras constantes na denúncia. Diante disso, a defesa demonstrará em Juízo a conduta culposa dos Réus, sem incidência de quaisquer qualificadoras para o crime”, escreveu.

Os advogados de Vitor disseram que ainda estão analisando a decisão. Enquanto a defesa de Evelyne ainda não se pronunciou sobre o assunto. O espaço segue aberto.

A denúncia

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou na terça-feira passada (7/7) os quatro presos por homicídio com dolo eventual. Na denúncia, o MPSP sustentou que os responsáveis pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.

O documento também apontou que o grupo atuava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes.

Em relação à organizadora do evento, o Ministério Público afirmou que ela tinha o dever de garantir a adoção de padrões mínimos de segurança e interromper a atividade diante de condições inadequadas, mas deixou de fazê-lo mesmo após tomar conhecimento de falha operacional semelhante ocorrida anteriormente.

A denúncia também atribuiu a ela a prática de fraude processual por determinar a localização da câmera GoPro utilizada pela vítima e a exclusão do conteúdo nela encontrado, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos. O equipamento permanece desaparecido.

“A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o rope jump sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigências já vigentes à época dos fatos, nos termos dos artigos 21 e 22, § 6º, da Lei nº 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo), com a redação dada pela Lei nº 14.978/2024, e do artigo 34, incisos I a VI, do Decreto nº 7.381/2010”, argumentaram os promotores.

Relembre o caso

No dia 13 de junho, Maria Eduarda, de 21 anos, foi até a Ponte do Esqueleto, em Limeira, para praticar o esporte radical conhecido como rope jump. A atividade consiste em um salto de um local elevado com o praticante preso por uma corda, que fica conectada a uma âncora.

Veja imagens do acidente:

Naquele dia, no entanto, os instrutores não prenderam Maria Eduarda à corda. Ela foi lançada de uma altura de 30 metros em queda livre. A jovem morreu logo depois.

Já estavam presos pela morte da jovem os instrutores Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; Luís Felipe Feliciano Egoroff, de 32; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27. Os três foram filmados levantando a jovem e jogando ela do alto da ponte.

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