A Fraternidade Sacerdotal de São Pio (FSSPX) a qual o padre Françoá Costa pertence e está excomungado desde o início de julho, comunicou, nesta segunda-feira (13/7), que apresentou, no sábado (11/7), recurso preliminar em resposta ao decreto que excomunga a fraternidade.
O recurso pretende sustar os efeitos da execução do decreto, com base no Cânone 1353, que suspende a apelação ou recurso de sentenças judiciais ou decretos que apliquem ou detalhem qualquer pena. Leia, na íntegra, a declaração publicada pela fraternidade aqui.
“Por meio deste recurso, a Fraternidade deseja exercer o direito que a Igreja reconhece a toda pessoa que se considere prejudicada por um ato administrativo de solicitar sua retificação, com espírito de respeito à autoridade eclesiástica e de fiel adesão à justiça, à verdade e ao bem da Igreja”, declarou o comunicado.
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O padre Françoá Costa, da Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), afirmou que a comunidade recebeu a nota de excomunhão do Vaticano “com muita paz”.
Entenda o caso
- A Arquidiocese de Brasília declarou a excomunhão do padre Françoá Costa e de toda a comunidade ligada à Capela Santo Atanásio;
- O padre Françoá é adepto da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo que se encontra em crise com o Vaticano, desde 2025;
- Ele afirmou que a comunidade recebeu a nota da arquidiocese “com muita paz” e que a comunidade não é cismática, nem excomungada;
- Françoá defende ainda que, devido ao princípio da “jurisdição de suplência”, todos os sacramentos realizados na capela da Ceilândia são válidos e lícitos;
- A decisão da Arquidiocese de Brasília é um desdobramento direto de um decreto emitido pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, no Vaticano, publicado em 2 de julho deste ano;
- O documento papal aplicou a excomunhão latae sententiae (que ocorre de forma automática pelo próprio ato cometido) contra a FSSPX.
A Arquidiocese de Brasília foi acionada para manifestação ou confirmação do recebimento do recurso pelo Vaticano. Não houve retorno até a última atualização da reportagem. O espaço segue aberto.
Origem da divergência
A FSSPX, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, defende a preservação das tradições da Igreja Católica, como a celebração da missa em latim e a manutenção dos ensinamentos anteriores ao Concílio Vaticano II.
O Vaticano, por sua vez, considera que a fraternidade rejeita parte das reformas aprovadas pelo concílio e desafia a autoridade da Igreja, o que tem provocado sucessivos embates entre as duas partes e culminou na recente declaração de cisma e excomunhão.
A excomunhão da fraternidade foi anunciada após sagrações episcopais, rito sacramento católico que confere a um sacerdote a graça e o grau de Bispo, realizadas em 1º de julho, sem autorização do atual Papa Leão XIV.
A Arquidiocese de Brasília também publicou uma nota informando que a Capela Santo Atanásio e o padre Françoá estão em situação de cisma e que os sacramentos administrados no local, como confissões e casamentos, são inválidos.
Em entrevista cedida ao Metrópoles, o pároco afirmou que a decisão do Vaticano não altera a rotina da comunidade. Ele afirmou que as missas, confissões, casamentos, batizados e demais celebrações continuarão sendo realizados normalmente na capela.

