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Bactérias deixam níveis de urânio tóxico estáveis, mostra estudo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Bactérias deixam níveis de urânio tóxico estáveis, mostra estudo

O urânio é um metal altamente radioativo cujos efeitos químicos são uma ameaça à saúde humana e aos ecossistemas. Agora imagine existir uma bactéria capaz de se alimentar desse elemento e deixá-lo estável. Foi o que cientistas descobriram recentemente.

Uma pesquisa conduzida por microbiologistas e ecologistas de recursos do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR), na Alemanha, e da Universidade de Granada, na Espanha, identificou que bactérias anaeróbias podem estabilizar os níveis de urânio.

O estudo teve seus resultados publicados em junho de 2026 na revista científica Nature Communications.

Como os pesquisadores identificaram que as bactérias podem estabilizar o metal

Tudo começa a partir do fechamento de uma das maiores minas de urânio da antiga Alemanha Oriental Soviética, a Schlema-Alberoda da Wismut GmbH, que teve seu funcionamento cessado em 1990 com a reunificação do país.

Desde o fechamento, há um grande esforço de remediação do local, um processo caro e demorado. Com a desativação da mina, esta foi inundada, o que exige tratamento contínuo, já que se sabe que a água contaminada com urânio é extremamente perigosa à saúde dos humanos e de outros seres vivos.

Porém, segundo os pesquisadores, a água dessa mina abriga todo um ecossistema de micróbios. Essas bactérias podem utilizar o urânio dissolvido em água, metabolizá-lo em glicerol e fazer com que eles sejam uma fonte de alimento, explica a microbiologista Evelyn Krawczyk-Bärsch, do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR).

O estudo revela, de forma inédita, que, ao se alimentarem de glicerol, as bactérias podem converter o urânio tóxico diluído em água em um material químico estável.


Microbiologistas descobriram que uma comunidade de bactérias é capaz de estabilizar o urânio tóxico

  • Bactérias de uma mina desativada na Alemanha conseguem estabilizar o metal.
  • O estudo pode ajudar a tratar a água de outros países que apresentam níveis de contaminação acima do permitido.
  • A descoberta mostra que, após 130 dias de ação das bactérias, somente 5% do urânio permaneceu nas amostras.
  • Apesar da descoberta, serão precisos outros estudos mais aprofundados.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores coletaram amostras de água na entrada da estação de tratamento do local, pois, a cerca de 2 mil metros de profundidade, quase não há oxigênio na água da mina.

A ideia foi reproduzir as condições naturais já existentes para as bactérias. Assim, os pesquisadores as incubaram com glicerol e descobriram que elas são capazes de deixar o urânio em um estado pentavalente — estado que deixa o elemento em oxidação +5, transformando-o em um agente oxidante forte.

Esse processo torna mais fácil o “aprisionamento” do metal em minerais estáveis.

De acordo com o microbiologista Antonio Newman-Portela, da HZDR, após 130 dias, somente 5% do urânio dissolvido em água permaneceu nas amostras.

O estudo aponta também que a contaminação por urânio radioativo é um problema global. Para se ter uma ideia, países como Estados Unidos, Índia, Canadá, França, África do Sul e Austrália podem ter, por vezes, em suas águas superficiais e subterrâneas, limites acima do permitido, de 0,03 miligramas por litro, estabelecido por diretrizes de contaminação por urânio seguidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde do Brasil, por exemplo.

Apesar de os resultados obtidos na mina da Alemanha permitirem que o processo possa ser aplicado em outras águas contaminadas, os autores do estudo ponderam que é preciso uma investigação mais profunda para checar até que ponto as bactérias podem tornar o urânio inofensivo e ser utilizadas para fins de remediação.

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