Uma autoridade do alto escalão do governo dos Estados Unidos informou ao Congresso nesta terça-feira (14) que um pequeno número de chips H200 da Nvidia, o segundo processador de inteligência artificial mais poderoso da empresa, foi enviado à China até o momento.
“Houve exportações mínimas de H200 para a China até agora”, disse Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança, ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. Segundo ele, os embarques dos chips H200 já começaram, mas o número foi “muito pequeno”.
A Reuters informou que uma subsidiária da fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações ZTE Corp e outras duas empresas chinesas estão entre as entidades que mais recentemente receberam autorização dos EUA para comprar chips avançados de IA da Nvidia e da AMD.
Em maio, a Reuters já havia noticiado que o Departamento de Comércio aprovou cerca de 10 empresas chinesas para adquirir o H200, embora, na época, nenhuma entrega tivesse sido realizada. Fontes afirmaram então que Alibaba, Tencent e ByteDance estavam entre as companhias autorizadas.
Kessler afirmou que o Departamento de Comércio forneceu ao Congresso uma lista confidencial dos pedidos para compra dos chips H200 e seus respectivos status, mas não deu mais detalhes.
As vendas dos chips H200 da Nvidia para a China tornaram-se um ponto sensível na disputa tecnológica mais ampla entre Estados Unidos e China. Washington tem buscado restringir o acesso de Pequim a semicondutores de ponta que possam ser utilizados em aplicações militares.
O deputado Gregory Meeks, principal democrata no comitê, criticou o Departamento de Comércio por não ter adicionado nenhuma empresa chinesa à lista de controle de exportações desde outubro, o período mais longo em mais de uma década sem novas inclusões.
Segundo Meeks, o presidente Donald Trump “transformou os controles de exportação em uma moeda de troca nas negociações mais amplas com a China” e “enfraqueceu salvaguardas existentes ao aprovar licenças para chips avançados de IA destinados à China”.
Kessler defendeu a postura do departamento e afirmou que é importante fazer cumprir as restrições já impostas às empresas chinesas que integram as listas de controle.
Ele também indicou que novas medidas regulatórias relacionadas à inteligência artificial estão a caminho.
“Não quero substituir a regra de difusão porque não considero que ela mereça ser substituída”, disse Kessler, acrescentando que a norma teria prejudicado o ecossistema global de IA. “Haverá futuras ações regulatórias na área de chips e inteligência artificial”, acrescentou.
No mês passado, a Reuters informou que o Departamento de Comércio adiou a inclusão da startup chinesa de IA DeepSeek, da fabricante de chips de memória ChangXin Memory Technologies e de mais de 100 outras empresas consideradas riscos à segurança nacional na chamada Entity List, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. A medida faz parte dos esforços do governo Trump para evitar uma escalada das tensões com Pequim.
Empresas dos Estados Unidos não podem exportar bens, software ou tecnologia para companhias incluídas nessa lista sem uma licença específica, cuja aprovação normalmente tende a ser negada.
Kessler também defendeu a decisão do governo Trump de flexibilizar, na sexta-feira, os controles de exportação para os Emirados Árabes Unidos, facilitando a exportação de chips de IA da Nvidia, equipamentos militares, satélites comerciais e espaçonaves, em uma iniciativa destinada a fortalecer as relações entre os dois aliados.

