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“No Brasil era pior”, diz brasileiro que trocou bets pela Ucrânia

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“No Brasil era pior”, diz brasileiro que trocou bets pela Ucrânia

O brasileiro Thiago Morais da Silva Moita (foto em destaque), que se alistou no Exército da Ucrânia após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line, revelou ter escapado da morte duas vezes desde que chegou ao país. A primeira experiência, segundo ele, ocorreu após concluir o treinamento militar e ser enviado para uma região considerada de alto risco.

“Menos de uma semana depois que cheguei, caiu um míssil na casa onde eu estava. Passou um caça russo e jogou três bombas lá”, relembrou.

Depois do episódio, Thiago conseguiu ser transferido para outro batalhão. No entanto, poucos dias após deixar o local, a nova base também foi alvo de um ataque.

“Assim que consegui a transferência, destruíram aquele vilarejo. Se eu tivesse permanecido lá, estaria morto”, contou.

Segundo o brasileiro, um colega de farda morreu durante um dos bombardeios.

Hoje, Thiago está em Dnipro, cidade considerada mais segura, onde continua cumprindo missões de reconhecimento ao lado de outros 13 brasileiros que integram o mesmo batalhão.

Rotina

Thiago integra a Legião Internacional de Defesa da Ucrânia desde março deste ano. Atualmente, atua em missões de reconhecimento e, embora não participe das equipes responsáveis pelos confrontos diretos com tropas russas, convive diariamente com bombardeios, ataques de drones e mísseis.

A rotina, segundo ele, é marcada por treinamentos intensos e missões que podem durar de uma semana a mais de 40 dias.

“Cada dia fazemos uma coisa diferente. Trabalho com missões de reconhecimento. No momento estou de folga”, explicou.

Apesar de não integrar as tropas de “assalto”, responsáveis pelos confrontos diretos, Thiago afirma que o risco é constante devido aos ataques aéreos.

No entanto, ele conta que a experiência na guerra mudou sua forma de enxergar a vida. “Desde que cheguei aqui, minha mente mudou completamente. Nunca mais vou jogar na minha vida. A guerra que eu estava vivendo no Brasil era pior do que esta aqui. Era uma guerra mental. Aqui eu corro para me salvar. Lá eu estava me matando. Essa é a grande diferença”, disse.

Redes sociais

Conhecido nas redes sociais como “BadBoynaUcrania”, ele conta que o apelido surgiu ainda na adolescência, quando morava em São Gonçalo (RJ).

“Desde adolescente a gente tinha um grupo de amigos chamado Bad Boy. Era uma brincadeira entre nós. Lembrei disso e resolvi colocar esse nome. É uma lembrança dos meus amigos das antigas”, contou.

No Exército Ucraniano, o apelido passou a identificá-lo oficialmente entre os companheiros.

“Aqui ninguém sabe o nome de ninguém. Todo mundo se conhece pela ‘chapa’. Ninguém aqui me conhece como Thiago”, afirmou.

A previsão é que o brasileiro retorne ao Brasil entre novembro e dezembro, durante o período de férias previsto em contrato. Depois disso, decidirá se encerra o vínculo com o Exército Ucraniano ou permanece na corporação pelos próximos anos.