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Meninos de 12 anos estão entre mentores de automutilação na internet

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

De um lado, meninos entre 12 e 20 anos que atuam como mentores de crimes praticados pela internet. Do outro, meninas de 6 a 14 anos que se tornam as principais vítimas desses grupos. Esse é o perfil traçado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, responsável pela investigação que identificou, na França, um adolescente brasileiro de 16 anos suspeito de integrar uma comunidade virtual que incentivava automutilação, suicídio e até ataques contra escolas e creches.

Ao Metrópoles, a delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, coordenadora do Noad, explicou que cerca de 90% dos investigados pelo núcleo são adolescentes. Segundo ela, muitos dos jovens chegam nestas comunidades em busca de acolhimento e reconhecimento, mas acabam encontrando incentivo à prática de crimes.

“Eles encontram pertencimento online. São acolhidos e recebem um discurso de validação. Infelizmente, esse reconhecimento acontece da pior forma possível, que é praticando crimes”, afirmou.

Entre as vítimas, o perfil também se repete. De acordo com a delegada, a maioria são meninas entre 6 e 14 anos, atraídas por pessoas que, em um primeiro momento, demonstram interesse em construir uma amizade.

A aproximação, explica Lisandréa, acontece frequentemente em jogos online que permitem conversas entre os usuários. Aos poucos, a confiança da vítima é conquistada e a conversa passa para outros aplicativos. Com o vínculo já estabelecido, começam os pedidos por fotos e vídeos íntimos.

“A violência não começa pela violência. Ela começa pelo acolhimento”, resumiu a delegada.

O papel da polícia

A partir do momento que a Noad identifica que uma criança ou adolescente está em risco durante uma transmissão ao vivo, por exemplo, a prioridade é interromper o crime o mais rápido possível.

Nos casos registrados em São Paulo, a equipe entra em contato imediatamente com a família. Enquanto uma viatura é deslocada até o endereço, os policiais orientam os pais a irem até o quarto da vítima para interromper a transmissão e prestar os primeiros cuidados. Quando necessário, além da Polícia Civil, equipes da Polícia Militar e do resgate também são acionadas para prestar atendimento.

“Já liguei inúmeras vezes para dizer aos pais: ‘Vá até o quarto da sua filha’. O importante é interromper aquela violência imediatamente”, contou.

Acompanhamento após o resgate

De acordo com a delegada, o trabalho do Núcleo não termina quando a vítima é retirada da transmissão. Crianças, adolescentes e familiares são encaminhados para atendimento psicológico por meio de uma parceria entre a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Busque ajuda

Arte/Metrópoles

O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos ou tentativas de suicídio que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social, porque esse é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o assunto não venha a público com frequência, para o ato não ser estimulado. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.

Depressão, esquizofrenia e uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida – problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ajudar você. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype, 24 horas, todos os dias.

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