Belo Horizonte – Trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) denunciam que estão sendo submetidos a transferências compulsórias para cidades distantes, sem diálogo prévio e com impactos na vida familiar e na saúde mental. Os funcionários relacionam a pressão à recente privatização da companhia, que nega e diz que executa uma reestruturação desde 2024.
Segundo representantes dos trabalhadores da Copasa, cerca de 3 mil dos aproximadamente 9 mil empregados da companhia estariam sendo transferidos para municípios que podem ficar a até 900 quilômetros de suas residências, mesmo após a garantia de estabilidade por 18 meses conquistada durante o processo de privatização da empresa.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua), muitos funcionários recebem por e-mail a determinação para se apresentarem em outra unidade, sem negociação prévia.
As reclamações foram tornadas públicas durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social debateu o tema na última sexta-feira (3/7), após solicitação do deputado estadual Betão (PT).
O que denunciam os trabalhadores
- Transferências consideradas compulsórias para cidades a até 900 quilômetros de distância;
- Cerca de 3 mil empregados afetados pelas mudanças;
- Comunicação das transferências por e-mail, sem negociação prévia;
- Auxílio financeiro considerado insuficiente para cobrir despesas com mudança;
- Relatos de aumento do adoecimento mental;
- Registro, segundo o sindicato, de três suicídios possivelmente relacionados ao agravamento das condições de trabalho;
- Pedido de suspensão imediata das transferências até análise dos casos.
Empresa se explica
Em nota, a Copasa informou que as readequações e movimentações de pessoal fazem parte de um plano de reestruturação organizacional e modernização administrativa, planejado e executado gradualmente desde 2024, com base em estudos técnicos para otimizar as operações.
Os sindicalistas afirmam que os valores pagos para custear as mudanças são insuficientes. Segundo o Sindágua, não há ajuda de custo para deslocamentos de até 75 quilômetros. Entre 75 e 150 quilômetros, o auxílio é de R$ 1.621, enquanto, para distâncias maiores, a indenização é limitada ao equivalente a um salário do trabalhador.
“O objetivo da transferência, como privatizou, é para as pessoas pedirem demissão. Não peça demissão. Vocês engenheiros, funcionários da Copasa tem 18 meses de estabilidade. É lei, foi aprovado”, disse Murilo de Campos Valadares, pres. do Sindicato dos Engenheiros.

Ainda conforme o sindicato, a situação tem provocado adoecimento mental entre os empregados. Durante a audiência, foi informado que há registro de três casos de suicídio que podem estar relacionados ao agravamento das condições de trabalho após a privatização da empresa.
A coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador, Marta de Freitas, também criticou as mudanças e afirmou que a empresa não teria apresentado um programa de gerenciamento dos riscos psicossociais, conforme prevê a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
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O superintendente regional do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Alberto Calazans, informou que o órgão acompanhará as denúncias e realizará reuniões para discutir os impactos das mudanças.
Ao final da audiência, o deputado Betão anunciou que solicitará a suspensão das transferências até que todos os casos sejam analisados. O parlamentar também pretende cobrar explicações da direção da empresa sobre os critérios adotados para as remoções e se houve consulta aos trabalhadores e aos representantes sindicais.
O que diz a Copasa
A companhia afirma que as medidas não têm qualquer relação com a recente mudança na estrutura societária da empresa e ressalta que todas as transferências seguem a legislação trabalhista vigente e os acordos coletivos da categoria.
Segundo a empresa, o objetivo das movimentações é realocar a força de trabalho para garantir maior eficiência na prestação dos serviços de saneamento em Minas Gerais.

