O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (8/7) que os integrantes do partido precisam se “entender” para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha sucesso na disputa pelo Palácio do Planalto. Ele defende a reconciliação entre o presidenciável e a madrasta, Michelle Bolsonaro.
A declaração foi dada durante um evento com representantes do setor produtivo promovido pela Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, em Brasília, em meio às turbulências na pré-campanha de Flávio provocadas pela crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, madrasta do senador.
Segundo Valdemar, “muitas coisas estão acontecendo”, e o partido precisa fortalecer a unidade interna.
“Tem muita coisa acontecendo. Nós precisamos fazer o nosso pessoal se entender melhor, né? Para poder ganhar a eleição. Precisamos fazer o nosso pessoal se entender melhor, ter paciência”, declarou o dirigente.
Valdemar Costa Neto avaliou que Michelle é “especial” e que vai trabalhar pela reaproximação entre Flávio e a madrasta, antes da convenção nacional que vai oficializar a candidatura do senador.
Segundo ele, a ex-primeira-dama e o senador não têm conversado: “Está difícil”. Valdemar indicou que, “se ela repensar, eu faço o que ela quiser”.
No mesmo evento, Valdemar Costa Neto afirmou que “Flávio está preparado” e disse que o PL vai “acertar o rumo porque muita coisa vai acontecer”.
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O presidente da legenda também mencionou a expectativa em torno da análise de um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para revisar sua condenação a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF). O recurso está sob relatoria do ministro Nunes Marques, indicado à Corte por Bolsonaro.
“Muita coisa pode acontecer nesses 20 dias, muitas surpresas. Muita coisa vai acontecer. Vocês podem ter certeza que o Brasil não vai ficar como está. E isso é coisa de até 20 dias, no máximo 30 dias e já vem as eleições”, declarou.
Madrasta versus enteado
As declarações de Valdemar ocorrem após o agravamento da crise entre Flávio e Michelle Bolsonaro. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a ex-primeira-dama afirmou ter sido “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado.
Michelle atribui o rompimento às divergências sobre a estratégia do PL no Ceará, especialmente em relação à aproximação do partido e ao apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado. Ela também afirma ter passado a ser alvo de ataques dentro do próprio campo bolsonarista.
Em meio à crise, Michelle chegou a se reunir com Valdemar Costa Neto e ameaçou deixar o PL. Ela recuou, mas decidiu renunciar ao comando do PL Mulher. No encontro, a ex-primeira-dama também deixou em aberto a possibilidade de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal.
Nos bastidores, Valdemar e outros aliados de Flávio têm atuado para que o senador evite novos confrontos públicos e tente reconstruir a relação com a madrasta.
Pessoas próximas a Michelle, porém, afirmam que essa possibilidade está descartada. Segundo esses interlocutores, ela também indicou que não pretende participar da campanha presidencial do enteado.
De acordo com interlocutores de Flávio, o episódio não provocou impacto relevante nos monitoramentos internos da pré-campanha. Ainda assim, aliados passaram a defender um reforço dos gestos em direção ao eleitorado feminino para evitar desgaste entre mulheres que se identificam com a ex-primeira-dama.

