A dieta cetogênica virou assunto de academia, consultório e grupo de WhatsApp ao mesmo tempo. Mas entre o entusiasmo de aderiu à dieta e o ceticismo de quem acha que é só mais uma moda, existe um meio-termo que merece atenção: a cetogência é uma estratégia real e que funciona de um jeito bastante diferente do que a maioria imagina.
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A ideia central é: o corpo passa a usar o carboidrato como combustível principal. Sem carboidrato, ele precisa buscar energia em outro lugar. Esse outro lugar é a gordura. Quando isso acontece, o fígado começa a produzir substâncias chamadas corpos cetônicos, que passam a abastecer o organismo e até o cérebro. Esse estado metabólico se chama cetose, e é justamente o que a dieta tenta provocar.
Para entrar em cetose, a restrição precisa ser drástica. Estamos falando de algo entre 20 e 50 gramas de carboidrato por dia, no máximo. Para ter uma ideia do que isso significa, uma única banana média já chega perto desse limite. Ou seja, não é uma dieta de “comer menos arroz”. É uma mudança profunda na lógica do prato.







Perder peso de forma saudável não é algo que acontece da noite para o dia. É necessário ter bons hábitos de vida, fazer exercícios, manter dieta e ter persistência
Francesco Carta fotografo/Getty ImagesNo entanto, quando combinados com boas práticas, certos alimentos podem auxiliar na perda de peso graças ao alto teor de fibras e/ou poder termogênico e anti-inflamatório
Getty ImagesEsses alimentos são aqueles capazes de combater a retenção de líquidos, melhorar o trânsito intestinal, acelerar o metabolismo ou queimar calorias
iStockO abacate, apesar de calórico, é rico em gorduras boas, possui propriedades anti-inflamatórias e é um alimento que incentiva digestão mais lenta. Logo, é uma fruta que ajuda a prolongar a saciedade do corpo
Irene Kredenets/ UnsplashA pimenta é outro alimento que auxilia na perda de peso. Por elevar a temperatura corporal e ser capaz de aumentar a frequência cardíaca, as pimentas fazem com que queimemos mais calorias
Priscila Zambotto/ Getty ImagesO salmão é um dos alimentos que prolongam a sensação de saciedade. Além de ser uma ótima fonte de proteína, também contém ácidos graxos anti-inflamatórios
Catherine Falls Commercial/ Getty ImagesA maçã verde é uma das frutas mais indicadas para quem procura por alimentos que auxiliem na perda de peso. Além de conter pouco açúcar, se comparada a outros tipos de maçãs, ela também é rica em pectina, que auxilia na redução do colesterol e no bom funcionamento digestivo
Inacio Pires / EyeEm/Getty ImagesAlém de possuírem efeito termogênico, os ovos têm 6 gramas de proteína por porção. Quando consumidos pela manhã, promovem saciedade por várias horas no dia
Laurie Ambrose/ Getty ImagesApesar de ser calórico, o coco traz sensação de saciedade, é rico em gorduras boas e disponibiliza energia para o organismo de forma mais rápida que outros tipos de gordura
HD Connelly/ Getty ImagesBrócolis, couve, couve-flor, couve de Bruxelas, repolho e rúcula, os vegetais crucíferos, possuem baixa caloria e são poderosas fontes de fibras
Sam Barnes/ Getty ImagesPeito de frango é uma excelente fonte de proteína e possui baixo teor de gordura e calorias
Arx0nt/ Getty ImagesSegundo especialistas, o vinagre de maçã prolonga a sensação de saciedade e ajuda a controlar os níveis de insulina no corpo. Há duas maneiras de consumir esse alimento: colocando na salada ou diluindo em água e tomando antes das refeições
Aniko Hobel/ Getty ImagesFrutas vermelhas são outro grande trunfo. Elas possuem propriedades rejuvenescedoras, atuam na redução dos níveis de inflamação e pressão arterial, são ricas em antioxidantes e deliciosas. Morango, cereja, groselhas vermelhas e mirtilos são exemplos
Olivia Bell Photography/ Getty ImagesPara conseguir ver os números diminuindo na balança e garantir uma boa saúde, não deixe de procurar orientação profissional
Por que tanta gente relata resultados rápidos no começo
A perda de peso nas primeiras semanas costuma ser expressiva, mas boa parte desse resultado inicial não é gordura perdida, é água. O carboidrato fica armazenado nos músculos e no fígado junto com líquido. Quando o estoque vai embora, a água vai junto.
Passada essa fase, o emagrecimento continua, mas de forma diferente e mais gradual. O que sustenta o processo ao longo do tempo é a combinação de dois fatores: o corpo queimando gordura como combustível principal e a sensação de fome caindo naturalmente, porque gordura e proteína saciam de um jeito que o carboidrato não consegue.
O que entra e o que sai do prato
Na prática, a distribuição muda bastante em relação ao que a maioria das pessoas está acostumada. A gordura passa a ocupar a maior parte das calorias do dia, em torno de 70% ou mais. A proteína fica em torno de 20 a 25%. E o carboidrato, que normalmente representa mais da metade das calorias de uma alimentação comum, cai para menos de 10%.
Os alimentos que entram com mais força:
- Carnes, ovos e peixes;
- Azeite, manteiga, abacate e oleaginosas como nozes e castanhas;
- Queijos e outros laticínios com pouco ou nenhum carboidrato;
- Vegetais de folha verde e outros legumes com baixo teor de açúcar, como abobrinha, brócolis e couve-flor.
Os que ficam de fora, ou quase:
- Pão, arroz, macarrão e qualquer grão;
- Frutas em geral, com exceção de pequenas porções de morango ou frutas vermelhas;
- Feijão, lentilha e grão-de-bico;
- Açúcar em qualquer forma, incluindo mel e sucos naturais.
O erro mais comum de quem tenta sozinho
A dieta cetogênica mal feita tem um problema específico: como ela exclui boa parte das frutas, legumes e grãos integrais, fica fácil entrar em deficit de fibras, vitaminas e minerais sem perceber. O resultado pode aparecer em forma de prisão de ventre, queda de imunidade ou cansaço que a pessoa atribui à dieta em si, quando na verdade é a falta de nutrientes que a dieta mal planejada deixou de fornecer.
A verdade é que a cetogênica pode ser uma ferramenta bastante eficaz para objetivos específicos. Mas é uma das dietas que mais pedem acompanhamento, justamente porque a margem para errar sem perceber é maior do que parece.

