O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou, nesta terça-feira (7/7), a participação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que discute a proposta do órgão americano de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Na manifestação, assinada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), a gestão Lula afirma que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria”. “Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz trecho.
Na nota, o governo afirma que Flávio foi o único brasileiro inscrito na sessão que não se posicionou contrário à imposição da taxação, sugerindo que fosse adiada. Para o governo federal, tal atitude teve “claro objetivo eleitoreiro”.
Durante a participação na audiência, realizada na manhã desta terça-feira, Flávio Bolsonaro argumentou que este seria o “pior momento possível” para adoção da medida, sob o argumento de que a taxação poderia beneficiar o presidente às vésperas da eleição. Ele também afirmou que as tarifas já foram “exploradas politicamente” pelo governo brasileiro.
“Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor. Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”, diz o comunicado.
Segundo a nota, o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, ao invés de rebater as “alegações infundadas” que baseiam a investigação contra o Brasil.
“O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro. O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes”, continua o comunicado.
Em seu discurso, o parlamentar também buscou associar Lula a escândalos de corrupção, como o mensalão, citou o suposto envolvimento do filho do petista no recente escândalo de descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e também a fraude financeira envolvendo o Banco Master, mas sem citar seu envolvimento com Daniel Vorcaro. A omissão foi criticada na nota da Secom.
“Esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai. Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários”, pontua o posicionamento oficial do governo.
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