A menopausa ainda é vista por muitas pessoas apenas como o fim da menstruação. Porém, a médica Luana Concha, pós-graduada em endocrinologia e metabologia, afirma que a fase representa uma transição muito mais profunda, que impacta o corpo, as emoções, os relacionamentos, a autoestima e até a forma como a mulher se percebe no mundo.
Leia também
“No consultório, eu vejo muitas mulheres chegarem dizendo: ‘Eu não me reconheço mais’. Elas estão mais cansadas, dormem mal, têm dificuldade de concentração, ficam mais irritadas e, muitas vezes, acreditam que isso faz parte do envelhecimento e que precisam simplesmente aceitar”, diz a profissional ao Metrópoles.






Menopausa não é fim, é transição. Um novo capítulo de autoconhecimento, força e cuidado
Bevan Goldswain/Getty ImagesA menopausa convida a mulher a se escutar mais, entender seu corpo e cuidar de si com gentileza
arto_canon via Getty ImagesOscilações hormonais impactam humor, energia e desempenho, mas ainda são ignoradas no cotidiano e no ambiente de trabalho
ReproduçãoFalar sobre saúde íntima feminina é romper silêncios e construir caminhos mais saudáveis para todas
Getty ImagesSaiba como preparar o seu corpo para a perimenopausa
Getty ImagesTambém existe um impacto importante na vida social e profissional, afirma Luana.
“Uma noite mal dormida, ondas de calor frequentes, queda na disposição e alterações de humor podem afetar o desempenho no trabalho, os relacionamentos e até a vida sexual. Por isso, olhar para a menopausa apenas pelos sintomas físicos é reduzir uma experiência que envolve a saúde de forma integral.”
Apesar dos desafios, ao entender que essas mudanças têm uma explicação biológica e que existem estratégias para lidar com elas, a mulher deixa de sentir que perdeu o controle da própria vida, conforme afirma a endocrinologista.
Como mudanças hormonais influenciam no dia a dia
De acordo com a médica, a principal mudança hormonal na menopausa é a redução da produção de estrogênio e progesterona pelos ovários. Esses hormônios participam de inúmeros processos no organismo, por isso seus efeitos vão muito além da saúde reprodutiva.
Quando o estrogênio diminui, o metabolismo tende a ficar mais lento, há uma maior facilidade para acumular gordura abdominal e uma perda progressiva de massa muscular. Muitas mulheres dizem: ‘Continuo fazendo tudo igual, mas meu corpo mudou’. Isso realmente tem uma explicação fisiológica.
Luana Concha
Outro fator muito importante é o sono. A queda hormonal favorece insônia, despertares frequentes e suores noturnos. “Quando a mulher não dorme bem, ela acorda sem energia, com mais dificuldade de concentração e mais vulnerável às oscilações de humor, além de aumentar a fome e estar mais propensa ao ganho de peso”, alerta a profissional.






Para dormir bem, é importante criar um ambiente propício ao sono, estabelecer uma rotina, evitar estimulantes e praticar hábitos relaxantes
Getty ImagesÉ fundamental manter o quarto escuro, silencioso e confortável, evitar o uso de eletrônicos antes de dormir
Getty ImagesSe tiver dificuldades em dormir, procure um profissional de saúde, como um médico ou psicólogo
Getty ImagesTente relaxar antes de dormir, tomar um banho quente, ler um livro ou ouvir música relaxante
Getty ImagesDormir bem traz o sentimento de felicidade
Getty Images/ReproduçãoLuana, que atua na área de emagrecimento, obesidade e reposição hormonal, acrescenta ainda que o estrogênio também influencia neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a serotonina. Por isso, ansiedade, irritabilidade e alterações emocionais podem surgir ou se intensificar nessa fase.
“O mais importante é entender que esses sintomas não são ‘frescura’ nem falta de força de vontade. Eles têm uma base biológica e podem ser tratados.”
Hábitos para reduzir sintomas e manter bem-estar
Segundo a médica endocrinologista, a menopausa vai além das perdas hormonais e pode se tornar uma fase de ganhos, desde que a mulher priorize o cuidado com a própria saúde.
Abaixo, confira alguns hábitos que podem reduzir sintomas da menopausa e manter o bem-estar a longo prazo, segundo Luana Concha:
- Alimentação equilibrada: priorizar proteínas de qualidade, frutas, verduras, legumes, fibras e gorduras boas ajuda a preservar a massa muscular, controlar o peso e reduzir o risco cardiovascular.
- Exercício físico regular: o treinamento de força é essencial para proteger músculos e ossos, enquanto atividades aeróbicas contribuem para a saúde do coração, do metabolismo e até do humor.
- Sono de qualidade: dormir bem influencia diretamente a produção hormonal, a imunidade, o controle do peso e o equilíbrio emocional.
- Gerenciamento do estresse: técnicas de relaxamento, momentos de lazer, prática de atividade física e, quando necessário, acompanhamento psicológico ajudam a reduzir os sintomas da menopausa e promovem mais bem-estar.







Exercícios que fortalecem os ossos e os músculos são essenciais para evitar doenças e demais problemas de saúde. Além de melhorar o equilíbrio, exercitar-se ao menos duas vezes por semana é um dos segredos para prolongar a expectativa de vida e envelhecer melhor
Mike Harrington/ Getty ImagesUm estudo feito por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, mostra que entre 30 e 60 minutos de exercícios de fortalecimento muscular por semana é o suficiente
Hinterhaus Productions/ Getty ImagesDe acordo com os resultados da pesquisa, o risco de morte prematura entre as pessoas que se movimentam é entre 10% e 17% menor do que o verificado em pessoas sedentárias
Catherine Falls Commercial/ Getty ImagesExercícios que utilizam o peso do próprio corpo, como a musculação e a prática de esportes, são algumas das recomendações. Além disso, atividades como Tai chi e ioga são indicadas para fortalecer ossos e músculos
Nisian Hughes/ Getty ImagesManter o corpo ativo ajuda ainda a melhorar resultados da menopausa, de períodos pós-operatório e pode ajudar a prevenir fraturas nos ossos, por exemplo. Além disso, auxilia no aumento da energia, e melhora o humor e o sono
skaman306/ Getty ImagesSegundo especialistas, pessoas que se exercitam por, ao menos, meia hora na semana demonstram redução do risco de morte, doenças cardíacas e câncer. Uma hora semanal de atividades de fortalecimento muscular também foi relacionada à diminuição do risco de diabetes
Tom Werner/ Getty ImagesA massa muscular e óssea do corpo humano atinge o pico antes dos 30 anos. A partir dessa idade, começa um decaimento natural, ou seja, indivíduos que começam a se exercitar na juventude terão aumento da força óssea e muscular ao longo da vida
Thomas Barwick/ Getty ImagesPessoas que se exercitam depois dos 30 anos reduzem a queda natural do corpo, conseguem preservar a força óssea e muscular e vivem muito melhor
Justin Paget/ Getty Images“A menopausa não precisa ser encarada como o começo de um declínio. Ela pode marcar o início de uma fase de mais consciência, autocuidado e qualidade de vida. Com orientação adequada e um plano individualizado, é totalmente possível atravessar essa transição com saúde, vitalidade e confiança“, conclui a médica da Sociedade Brasileira de Andropausa e Menopausa (SBAM).

