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Dólar cai a R$ 5,16 com previsão de juros menores e alívio na guerra

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Dólar cai a R$ 5,16 com previsão de juros menores e alívio na guerra

O dólar registrou queda de 0,76% frente ao real, cotado a R$ 5,16, nesta sexta-feira (3/7). O Ibovespa, por sua vez, fechou em alta. O principal índice da Bolsa brasileira (B3) avançou 0,74% aos 174 mil pontos.

A sessão foi morna para os mercados de câmbio e ações. O feriado do Dia da Independência, nos Estados Unidos, comemorado em 4 de julho, mas antecipado para esta sexta-feira, reduziu a liquidez nos pregões domésticos.

No front externo, prevalece um duplo alívio. De um lado, a guerra entre Estados Unidos e Irã deixou de ser um vetor decisivo para os investimentos. Isso vem ocorrendo desde o momento em que os dois países firmaram um acordo de cessar-fogo válido por 60 dias, ainda que sujeito a turbulências, em 17 de junho.

Nesta sexta-feira, o preço do petróleo aumentou, mas se manteve próximo do patamar anterior ao início do confronto no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, fechou em alta de 0,45%, a US$ 72,12. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, subiu 0,19%, a US$ 68,82.

Além disso, o mercado ainda repercute a divulgação de dados mais fracos sobre o mercado de trabalho americano, veiculados na quinta-feira (2/7). Em queda, os números sobre a criação de empregos atenuaram as projeções de nova alta dos juros no país, embora a política monetária americana deva continuar restritiva.

Produção industrial

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação dos dados da produção industrial, que registrou queda de 0,2% em maio. O número veio abaixo da expectativa do mercado, que esperava aumento de 0,2%, e representou a primeira retração do ano na base de comparação mensal, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento do indicador.

Contrariando as expectativas para o período, os segmentos voltados para o mercado externo apresentaram comportamento majoritariamente negativo, com destaque para os derivados de petróleo e biocombustível (-6,1%), indústria extrativa (-4,0%) e os produtos de madeira (-0,6%), cujas taxas de retração se encontraram entre as piores da pesquisa divulgada.

Correção estatística

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o mau comportamento no período pode ser atribuído à potencial correção estatística frente ao forte crescimento do mês anterior, tendo em vista que o cenário internacional ainda se mostrava “favorável para essa classe específica de produção, especialmente no caso do petróleo”.

Na avaliação de Vitor Kayo, da Nomad, o resultado abaixo do esperado sugere um fôlego mais fraco da indústria depois de um início de ano mais aquecido. “Mas ainda é cedo para caracterizar o movimento como uma mudança de trajetória, já que o setor vinha de uma sequência positiva relevante e alguns dos recuos, como o de derivados de petróleo, refletem em parte a reversão de uma alta acumulada nos meses anteriores”, diz o analista. “Ainda assim, o resultado não muda o quadro geral de uma atividade econômica que segue resiliente, sustentada por estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral, o que reforça a cautela do Banco Central em relação ao processo de desinflação.”

Balança comercial

A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) também informou, nesta sexta-feira, os dados da balança comercial de junho. Ela anotou um superávit de US$ 9,8 bilhões, 66% acima do saldo observado em junho de 2025. As exportações somaram US$ 36,2 bilhões e as importações, US$ 26,5 bilhões. O saldo veio um pouco abaixo da previsão do mercado, que apontava um valor de US$ 10,6 bilhões.

Análise

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar devolveu nesta sexta-feira parte da alta registrada na véspera, em uma sessão marcada por liquidez reduzida devido ao feriado de 4 de julho nos Estados Unidos.

“O movimento reflete principalmente uma correção técnica após o avanço recente da moeda americana, enquanto, no cenário doméstico, o único dado relevante foi a produção industrial de maio, que veio abaixo do esperado, reforçando a percepção de desaceleração, na margem, da atividade econômica”, diz. “Os ativos domésticos vêm apresentando uma melhora marginal no apetite por risco, em linha com a expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central.”

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