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UnB será palco de pedido de desculpas do Estado por vítima da ditadura

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
UnB será palco de pedido de desculpas do Estado por vítima da ditadura

A Universidade de Brasília (UnB) será palco, nesta quinta-feira (2/7), de um ato público em que o Estado brasileiro fará um pedido oficial de desculpas à população em reconhecimento às violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. A cerimônia será dedicada à memória de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-aluno da Faculdade de Direito da instituição que desapareceu após ser preso pelo regime em 1971.

O evento ocorrerá às 16h, no Auditório Esperança Garcia, da Faculdade de Direito da UnB, no Campus Darcy Ribeiro. A iniciativa é promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com a universidade, e integra as ações de memória, verdade e reparação conduzidas pela pasta.

O ato contará com a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello; do chefe da Assessoria Especial de Defesa da Democracia, Memória e Verdade do MDHC, Hamilton Pereira; da reitora da UnB, Rozana Naves; de familiares e ex-colegas de Paulo de Tarso, além de representantes da comunidade acadêmica e autoridades.

Em nota, a reitora da UnB, Rozana Naves, afirmou que o pedido público de desculpas reconhece as violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante a ditadura militar. “O pedido público de desculpas reconhece uma das mais graves violações de direitos humanos da história brasileira: a perseguição, a prisão, a tortura, os assassinatos e o desaparecimento de pessoas durante a ditadura militar.”

Já a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, disse que a cerimônia reafirma o compromisso do governo federal com as políticas de memória, verdade e reparação. “O ato reforça o compromisso do governo brasileiro com o direito à memória e à verdade como instrumento de não repetição de violações de direitos, da tortura e do desaparecimento forçado.”

Quem foi Paulo de Tarso Celestino

Paulo de Tarso Celestino da Silva graduou-se em direito pela UnB em 1969 e teve atuação destacada no movimento estudantil, presidindo a Federação dos Estudantes Universitários de Brasília. Em 12 de julho de 1971, aos 27 anos, foi preso no Rio de Janeiro por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) e nunca mais foi visto.

Relatos reunidos por comissões da verdade e pelo Memorial da Resistência apontam que ele foi levado para a chamada Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), centro clandestino de tortura da repressão, onde teria sido submetido a sessões de tortura antes de desaparecer. Até hoje, seu paradeiro é desconhecido.

Paulo de Tarso foi reconhecido como morto pela Lei nº 9.140, de 1995, que reconhece a responsabilidade do Estado pelas mortes e desaparecimentos de pessoas perseguidas durante a ditadura militar. Em 2025, o Ministério Público Federal também ajuizou uma ação civil pública para responsabilizar ex-integrantes do Centro de Inteligência do Exército (CIE) por sua prisão ilegal, tortura e desaparecimento, além de solicitar medidas de reparação simbólica.