Com a Selic em 13,75% e o mercado projetando maior queda de juros nos próximos anos, o investidor de renda fixa precisa decidir se trava as taxas atuais ou mantém a flexibilidade do pós-fixado. As emissões de títulos bancários em setembro dão pistas. Nos CDBs pós-fixados de 12 meses, a taxa média foi de 98,83% do CDI, segundo levantamento da Quantum Finance.
“Só que nenhum investidor recebe a média”, diz Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, que simulou o rendimento dos papéis a pedido do InfoMoney.

Prefixados do Tesouro sobem em dia de alta do petróleo e dos juros globais
Movimento ocorre em dia de petróleo acima de US$ 104 e Treasury de 10 anos perto da máxima desde 2002; mercado aguarda primeira pesquisa Datafolha do segundo turno

Renda fixa e FIDCs lideram aplicações de fundos no ano
Fundos de recebíveis são destaque de crescimento no ano e Anbima vai colocar em audiência regras para aumentar a transparência das carteiras
Com taxas que vão de de 90% a 107% do CDI nos papéis pós-fixados quem sai na frente são os CDB prefixados, diante da expectativa de queda de juros à frente que tende a valorizar esse tipo de aplicação, considerada mais arriscada. Na simulação, o maior rendimento alcançou, na média, uma valorização de 40% em um prazo de três anos.
A simulação considera aplicação de R$ 10 mil em 30 de setembro, à taxa média de cada prazo, até o vencimento e descontado o IR. Os pós-fixados e IPCA+ usam as estimativas do Focus de Selic a 10% em 2029, e só o prefixado tem retorno conhecido na contratação.
Veja a evolução do investimento em cada tipo de CDB ao longo do tempo:
| Prazo | CDB pós-fixado | CDB prefixado | CDB IPCA+ | LCA pós-fixada (isenta) |
| 6 meses | R$ 10.499 | R$ 10.481 | – | R$ 10.528 |
| 12 meses | R$ 11.050 | R$ 11.085 | R$ 10.941 | R$ 11.105 |
| 24 meses | R$ 12.193 | R$ 12.481 | R$ 12.152 | R$ 12.204 |
| 36 meses | R$ 13.313 | R$ 14.083 | R$ 13.418 | R$ 13.322 |
CDB a menos de 100% do CDI ainda vale a pena?
Para Almeida, vale investir em CDBs agora, mas não pela taxa média, puxada para baixo pelos grandes bancos de varejo, que captam com facilidade.
“Travar abaixo de 100% do CDI, na minha visão, no momento, não faz nenhum sentido”, afirma. A comparação é com o Tesouro Selic, que, segundo ele, rende cerca de 100,7% do CDI bruto, com liquidez diária, risco soberano e sem taxa de custódia para saldos de até R$ 10 mil.
Como até CDBs de liquidez diária costumam pagar 100% do CDI, o papel com dinheiro preso só se justifica acima disso.
Em 24 e 36 meses, Almeida prefere o prefixado, que pagou em média 13,72% e 14,09% ao ano. O CDI médio projetado com base no Focus é de 12,25% e 11,60%, uma folga de 1,5 a 2,4 pontos percentuais.
Para o prefixado de 36 meses perder do pós-fixado médio, o CDI teria de ficar acima de 13,98% por três anos. “Não basta o Copom interromper os cortes. Ele precisaria voltar a subir juros ou abandonar o ciclo de corte de uma vez por todas”, diz. Ele vê o cenário como remoto, mas cita riscos como piora fiscal após a eleição, inflação e câmbio.
Contra o IPCA+, o prefixado só perde se a inflação passar de 6,2% ao ano em 12 meses, 5,8% em 24 meses e 5,9% em 36 meses.
No curto prazo, a lógica se inverte: em seis meses, o prefixado médio paga 12,92%, abaixo do CDI projetado de 13,37%. Em 12 meses, há empate técnico. Almeida lembra que dá para combinar um prefixado longo com um pós-fixado de liquidez.
LCAs batem os CDBs
O analista calculou quanto um CDB precisaria pagar para empatar, depois do IR, com a LCA média.
| Prazo | LCA média (% do CDI) | Remuneração de um CDB para empatar com a LCA (% do CDI) | Taxa média dos CDBs emitidos em setembro (% do CDI) |
| 6 meses | 85,31% | 105,97% | 100,40% |
| 12 meses | 86,42% | 103,65% | 98,83% |
| 24 meses | 86,52% | 100,15% | 99,70% |
| 36 meses | 87,80% | 100,98% | 100,74% |
Na média, o CDB perde em todos os prazos. Só os mais rentáveis conseguem superar as LCAs médias, como os papéis de 107% do CDI em 12 meses. Mas há mais risco. Em seis meses, nem a maior taxa, de 105%, bastou.
Quanto maior a taxa, maior o risco
A análise para escolher um papel deve começar pelo emissor, não pela taxa. “O investidor não pode ficar tentado a olhar só para a taxa contando que no fim das contas teremos a figura do FGC“, diz Almeida.
Ele sugere checar índice de Basileia, liquidez, rentabilidade e carteira de crédito. Depender só de CDB para captar é sinal de alerta, assim como carteira cheia de precatórios.
Dentro do limite do FGC, de R$ 250 mil por CPF e instituição, o prêmio em geral compensa, diz o especialista da Suno. Mas o fundo protege o principal, não o prazo: no caso do Banco Master, quem esperava 130% a 140% do CDI ficou um tempo com o dinheiro parado.
Taxas de 105% a 110% do CDI podem ser promoções para atrair clientes. Acima disso, com juros altos, “já começa a configurar um risco muito elevado”.
The post CDB ainda paga bem? Taxas indicam possibilidade de ganho de até 40% em 3 anos appeared first on InfoMoney.

