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JPMorgan rebaixa Banco do Brasil para venda e eleva Bradesco após rali; ações reagem

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
JPMorgan rebaixa Banco do Brasil para venda e eleva Bradesco após rali; ações reagem

Depois da forte disparada das ações financeiras brasileiras no rali pós-eleitoral, o JP Morgan revisou suas recomendações, estimativas e preços-alvo para o setor. O Bradesco (BBDC4) foi elevado de neutro para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), enquanto Banco do Brasil (BBAS3) foi rebaixado de neutro para underweight (exposição abaixo do mercado, equivalente à venda).

Com isso, as ações reagem: BBDC4 tem novo dia de fortes ganhos e subia 3,98%, a R$ 22,71, enquanto BBAS3 tinha queda discreta, de 0,57, a R$ 26,18, às 10h17 (horário de Brasília) desta terça-feira (6).

O pano de fundo é uma mudança relevante no custo de capital, uma vez que o banco reduziu em aproximadamente 1,5 ponto percentual sua premissa de custo de capital próprio para a maior parte das empresas cobertas, acompanhando o movimento da curva de juros brasileira de dez anos, que caiu de aproximadamente 14,4% para 13%. Só esse efeito explica cerca de 15% a 20% dos aumentos de preços-alvo realizados pela casa.

Além da queda do custo de capital, as empresas ligadas ao mercado de capitais ganharam um impulso adicional nas projeções. O JPMorgan elevou entre 8% e 12% as estimativas de lucro para XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3) em 2027, enquanto para BTG Pactual (BPAC11) o aumento ficou entre 4% e 5%. A casa cita o volume excepcional de negociação no mercado à vista, de R$ 103 bilhões de ADTV (volume médio diário negociado), cerca de três a quatro vezes os níveis pré-eleição, além de uma perspectiva mais favorável para os juros.

O JPMorgan, além de elevar a recomendação para o Bradesco, subiu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26, valorização de 19% frente o último fechamento, quando subiu 13,6%.

Os analistas consideram que as receitas de seguros tendem a não se beneficiar de juros menores, mas avalia que as discussões envolvendo o capital tangível do banco tornam-se menos relevantes. O Bradesco negociava a 1,2 vez o valor patrimonial, enquanto o múltiplo considerado justo pelo banco é de 1,5 vez.

O JPMorgan destaca ainda que o plano de recuperação do Bradesco vem mostrando evolução, com a rentabilidade melhorando nos últimos trimestres, com redução do custo de risco e melhora das margens. Mesmo com tendências de curto prazo consideradas menos atraentes, o banco acredita que BBDC4 apresenta uma posição relativa melhor que BBAS3.

Pelas estimativas da casa, o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) do Bradesco deve avançar de 15,9% em 2026 para 16,1% em 2027 e 16,8% em 2028. O lucro líquido ajustado é estimado em R$ 28,1 bilhões neste ano, R$ 30,5 bilhões em 2027 e R$ 34,8 bilhões em 2028.

Banco do Brasil rebaixada

Já para o Banco do Brasil (BBAS3), apesar de o preço-alvo subir marginalmente, de R$ 22 para R$ 23, a recomendação foi reduzida para underweight. Frente ao preço de R$ 26,30, o novo alvo representa potencial de queda de 13%.

Os analistas apontam que o BB participou fortemente do rali, com valorização de cerca de 16% desde a sexta-feira anterior e de 50% desde 15 de agosto, mas a recuperação operacional da instituição deve demorar mais, segundo os analistas.

O JPMorgan afirma que 2027 ainda deve ser um ano desafiador para o BB, enquanto a recuperação é esperada para 2028. O banco também ressalta que a exposição relevante ao agronegócio deve fazer com que a instituição se beneficie menos de uma eventual queda da Selic do que outros bancos privados.

A qualidade dos ativos continua sendo outro ponto de pressão, já que a casa espera que a recente e forte deterioração da carteira do agronegócio pressione lucros, rentabilidade e distribuição de dividendos. O ROE projetado é de apenas 8,7% em 2026, avançando para 11,8% em 2027 e 13% em 2028.

O lucro líquido ajustado projetado para 2026 é de R$ 16 bilhões, ante R$ 20,7 bilhões em 2025. Para 2027, a estimativa sobe para R$ 22,6 bilhões e, em 2028, para R$ 27,1 bilhões.

A forte rede de depósitos, liquidez e menores custos de financiamento continuam sendo qualidades do Banco do Brasil, mas, para o banco, existem oportunidades com relação risco-retorno superior dentro do setor.

Itaú continua como preferência entre os grandes bancos

O Itaú Unibanco (ITUB4) segue overweight e teve seu preço-alvo elevado de R$ 51 para R$ 60, com potencial de alta de 21% frente o fechamento da véspera.

Para os analistas, o Itaú é o banco mais bem posicionado entre os incumbentes para crescer em um cenário brasileiro mais construtivo. A instituição destaca o ROE elevado e a capacidade do Itaú de ganhar espaço em um ambiente de maior atividade. A própria plataforma de investment banking poderia se beneficiar de uma recuperação do mercado de capitais.

Embora o valuation esteja mais exigente, próximo de 10 vezes os lucros projetados para 2027, a casa observa que o papel já negociou recentemente mais perto de 11 a 12 vezes. O JPMorgan também menciona Itaúsa (ITSA4) como uma forma potencialmente atraente de exposição ao banco diante do desconto sobre o valor de seus ativos e de investimentos que poderiam se beneficiar de juros menores.

XP é preferência no mercado de capitais

Nas empresas mais diretamente ligadas ao mercado de capitais, a XP (negociada na Nasdaq e com o BDR XPBR31) continua sendo a alternativa preferida pelo J.P. Morgan. A recomendação é overweight e o novo preço-alvo passa a US$ 38, de US$ 26, com o potencial de alta estimado em 35%.

Apesar da disparada recente, o banco considera o múltiplo de aproximadamente 11 vezes o lucro de 2027 ainda atraente. A XP havia subido 31% em dólares desde a sexta-feira e 78% desde 15 de agosto.

Os analistas enxergam espaço para resultados maiores que o consenso, apoiados por melhora de monetização, mix de produtos e possíveis receitas com performance fees. Juros menores também podem estimular uma migração de investimentos de renda fixa para ações e fundos, favorecendo fluxos para a plataforma.

O BTG Pactual (BPAC11) permanece overweight, embora JPMorgan reconheça que a ação ficou mais cara após o forte desempenho. O preço-alvo sobe de R$ 66 para R$ 87, mas, diante da cotação de R$ 80,90 considerada no relatório, o potencial restante é de apenas 7%.

O papel acumulava avanço de aproximadamente 28% desde a sexta-feira e de 66% desde 15 de agosto. A ação passa a negociar a 12,6 vezes o lucro projetado para 2027 e 3,7 vezes o valor patrimonial estimado para 2026.

B3: depois de disparar, valuation limita potencial

A B3 (B3SA3) também teve uma forte revisão de preço-alvo, para R$ 24,50, ante R$ 18,50, mas continua com recomendação neutra. Segundo o banco, a questão aqui é essencialmente de valuation. A ação fechou a sessão da véspera a R$ 23,30, deixando apenas 5% de potencial até o novo preço-alvo.

O JPMorgan elevou entre 10% e 12% suas estimativas de lucro para a companhia, refletindo uma expectativa de volumes mais fortes no mercado à vista e melhora moderada nas emissões de ações.

Ainda assim, a ação negocia a aproximadamente 17 vezes os lucros estimados para 2027. Como os picos recentes ficaram normalmente entre 18 e 20 vezes, o banco avalia que seria necessário um crescimento de lucro muito mais rápido, ou uma queda adicional do custo de capital, para justificar uma volta aos múltiplos superiores a 25 vezes observados em 2018 e 2019.

Nubank e Inter aparecem como atrasados do rali

Depois da disparada das financeiras tradicionais e das empresas do mercado de capitais, o JPMorgan identifica Nubank (BDR: ROXO34) e Inter (BDR: INBR32) como dois nomes que ficaram relativamente para trás e ainda oferecem valuation atraente.

Para o Nubank, a recomendação segue overweight e o preço-alvo sobe de US$ 20 para US$ 23, equivalente a potencial de 52% sobre os US$ 15,20 utilizados na tabela de recomendações.

A casa continua projetando crescimento de lucros próximo de 30% em dólares, mesmo depois de adotar premissas mais conservadoras. Os analistas destacam as vantagens estruturais de custos e capital da fintech, além da capacidade de continuar ganhando participação no Brasil.

Para o Inter, o novo preço-alvo é de R$ 55, ante R$ 45, com potencial indicado de 67% sobre R$ 33. A ação continua overweight e negocia abaixo de sete vezes o lucro projetado para 2027.

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