As taxas do Tesouro Direto recuam nesta sexta-feira (25), mesmo com o IPCA-15 de setembro vindo bem acima do esperado pelo mercado. O alívio acompanha sinais de que Estados Unidos e Irã exploram uma saída gradual para o conflito no Oriente Médio, o que tem se sobreposto à disparada dos rendimentos dos títulos públicos americanos e à surpresa inflacionária doméstica.
O Tesouro Prefixado 2032 recuou de 14,15% no fechamento de quinta-feira para 14,13% nesta manhã, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu de 14,13% para 14,11%. O Prefixado 2029 ficou estável em 13,91%.
Nos títulos de inflação, o IPCA+ 2032 recuou de 7,67% para 7,65%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caiu de 7,51% para 7,50%. Nos mais longos, movimento inverso, com o IPCA+ 2050 subindo de 7,13% para 7,14%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 avançando de 7,19% para 7,20%, movimentos pontuais que não chegam a reverter a queda predominante na curva.
Segundo apurou a imprensa internacional, negociadores exploram uma saída gradual do conflito que envolveria a reabertura do Estreito de Ormuz, e um alto funcionário iraniano afirmou que esse caminho é visto como o mais realista. O sinal de possível trégua ajudou a conter os preços do petróleo e a aliviar parte da pressão que vinha sustentando a disparada dos Treasuries americanos, hoje perto dos maiores patamares em duas décadas.
A prévia da inflação oficial subiu 0,70% em setembro, ante expectativa de 0,53% em pesquisa Reuters, revertendo a deflação de 0,40% registrada em agosto. Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 3,82% no ano e de 4,47% em 12 meses, ante 4,24% na leitura anterior.
Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, pondera que a inflação foi puxada por itens mais voláteis, como passagem aérea e gasolina, além da devolução de surpresas baixistas anteriores em alimentação no domicílio. Ele destaca, porém, que a abertura do índice veio pior, embora os industriais subjacentes tenham seguido em desaceleração.
Leonardo Costa, economista do ASA, reforça a leitura sobre os serviços subjacentes, sinal de que o processo de desinflação dos núcleos segue incompleto. Após o resultado, o ASA já vê espaço para revisar para cima sua projeção de IPCA para setembro, hoje em 0,63%, para algo mais próximo de 0,70%.
Apesar da surpresa altista na inflação, tanto Chicoli quanto Costa mantêm a expectativa de continuidade dos cortes de juros. A Monte Bravo projeta redução da Selic para 13,50% na próxima reunião do Copom, com cortes posteriores dependendo do resultado eleitoral e da consolidação fiscal do próximo governo. O ASA também segue apostando em dois cortes de 25 pontos-base, em novembro e dezembro.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h23 desta sexta-feira (25):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | 01/01/2036 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0746% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,91% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,13% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,11% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,65% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,50% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,27% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,31% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,14% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,20% | 15/08/2060 |
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