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Anos de déficit hídrico ampliam atenção para rios da Amazônia com El Niño

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Anos de déficit hídrico ampliam atenção para rios da Amazônia com El Niño

Uma sequência de secas seguidas de chuvas insuficientes nos últimos anos torna ainda mais crítico o prognóstico para alguns rios da região amazônica diante da potencial estiagem motivada pelo fenômeno climático El Niño neste ano, disse o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) nesta terça-feira (15).

Segundo apresentação do órgão, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, rios como o Negro e o Xingu, que abriga a usina hidrelétrica de Belo Monte, estão atualmente com status de “seca moderada”, após anos de déficits hidrológicos que dificultam a recuperação de seus níveis para condições normais quando chega o período chuvoso na região.

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“Associadas a altas temperaturas, as chuvas não têm sido o suficiente para recuperar os níveis dos rios. E o pior é que a gente não está abastecendo as reservas subterrâneas, que são as que mantêm os rios durante as secas. É muita escassez que está se acumulando ao longo do tempo”, disse Adriana Cuartas, pesquisadora do Cemaden.

“A gente vê que, em agosto, diversos níveis dos rios, principalmente na região Norte, já estavam com valores abaixo do que se esperava para aquele período. Então, a tendência é piorar nessa região e nesses pontos (nos próximos três meses)”, disse.

No Xingu, importante para a geração hidrelétrica do Brasil, a vazão em agosto ficou próxima do observado em igual mês de 2023, quando um El Niño também provocou estiagem severa na região.

Para lidar com os efeitos do El Niño deste ano, o governo brasileiro já autorizou que a usina de Belo Monte passe a operar com vazão mínima reduzida, de 100 m³/s, até 30 de novembro.

Além da geração de energia, a redução dos níveis dos rios amazônicos traz preocupações de outras naturezas, como os impactos sobre a navegação, a pesca e o sustento das comunidades locais.

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O padrão climático El Niño, cuja intensidade neste ano pode ser uma das mais elevadas já registradas, costuma provocar no Brasil um aumento das chuvas na região Sul e estiagens no Norte e Nordeste. O fenômeno também favorece temperaturas acima da média, com maior probabilidade de ondas de calor, e eleva o risco de incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal.

Mas os efeitos do El Niño ainda não estão totalmente claros e dependem de outros fatores, como a temperatura do Oceano Atlântico Tropical, e da própria atmosfera, apontaram pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) nesta terça-feira, em evento conjunto com o Cemaden.

Os pesquisadores buscaram dissociar a intensidade do El Niño com a potencial magnitude de suas consequências, já que impactos ambientais e socioeconômicos dependem também de vulnerabilidades das áreas afetadas.

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