Mahmoud Khalil, aluno da Universidade de Columbia, em Nova York (EUA), processou a instituição “por anos de discriminação anti-palestina, falha em proteger os alunos de assédio e retaliação contra aqueles que defendem os direitos palestinos”. O anúncio foi feito nessa segunda-feira (14/9).
Khalil é um refugiado palestino criado na Síria que ganhou fama internacional como o primeiro estrangeiro detido pelo governo de Donald Trump por defender a causa palestina. Ele, porém, é casado com uma norte-americana, com quem tem um filho, e tem um cartão de residência permanente (green card). A prisão ocorreu entre março e junho de 2025, período do nascimento do filho dele, que ele não acompanhou porque estava detido.
Khalil apresentou uma queixa de 60 páginas ao Distrito Sul de Nova York contra a universidade, seu conselho e a reitora da SIPA, Keren Yarhi-Milo, alegando “indiferença deliberada” ao “assédio grave, persistente e coordenado” a ele e a outros estudantes que se manifestaram publicamente em apoio aos direitos palestinos.
“A Universidade Columbia preparou o terreno para que eu fosse alvo do governo Trump por meio de sua indiferença e discriminação deliberadas, com o objetivo de intimidar estudantes palestinos”, escreveu Khalil. “Por mais de dois anos, imploramos à Universidade Columbia. A Columbia não se importou. Nossa segurança e nosso bem-estar não serviam ao projeto ideológico que seu Conselho de Curadores estava protegendo, então eles nos descartaram.”
Khalil já processou Columbia, em março de 2025, tentando impedir que a instituição divulgasse registros disciplinares de estudantes ao Comitê de Educação e Trabalho da Câmara dos Representantes, que liderou a investida contra universidades após a guerra de Israel em Gaza (iniciada em 7 de outubro de 2023) e os protestos que se sucederam nos campi em apoio aos direitos palestinos.
E disse também que vai tomar novas medidas legais futuramente: “Em seguida, abordarei os indivíduos odiosos da Universidade Columbia que também foram responsáveis pelo que sofremos”, escreveu ele.
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Segundo os autores da ação, um dia antes de sua prisão, Khalil teria enviado um e-mail para a então presidente interina da universidade, Katrina Armstrong, e para outros administradores, pedindo que medidas fossem tomadas para proteger os estudantes internacionais.
“O que Mahmoud Khalil sofreu por denunciar o genocídio em Gaza foi inconcebível. E grande parte disso foi perpetrado pela Colômbia ou facilitado por ela”, escreveu Brittany Finley, uma das advogadas da causa, em um comunicado à imprensa. “A Universidade Columbia sabia o que estava acontecendo em seu campus e optou pela indiferença em vez de agir.”
A Universidade Columbia, por sua vez, afirmou ao The Guardian que “está comprometida em proteger nossa comunidade contra discriminação e assédio, e em responder de forma rápida e adequada quando surgirem preocupações”.

