O avanço do Ibovespa nas últimas sessões não tem sido sustentado apenas pelo otimismo com a perspectiva de queda dos juros e por fatores políticos. A alta das commodities também tem exercido papel relevante no desempenho da Bolsa brasileira, impulsionando ações como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), duas das maiores empresas do índice.
Nesta terça (8), o principal índice da B3 chegou a subir 1,5% e superou os 188 mil pontos, em um movimento apoiado por ações ligadas a petróleo e mineração. Entre os destaques da sessão estavam justamente os papéis da Vale e da Petrobras, beneficiados pela valorização das matérias-primas no mercado internacional.
Petróleo perto dos US$ 100
No caso do petróleo, os preços avançaram após uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. Ataques a instalações energéticas na Arábia Saudita aumentaram os temores de problemas na oferta global da commodity. Como resultado, o Brent, referência internacional, se aproximou da marca de US$ 100 por barril, atingindo os níveis mais elevados das últimas semanas.
O Ministério da Energia da Arábia Saudita informou que operações em determinadas instalações do setor foram interrompidas após ataques realizados por militantes houthis alinhados ao Irã. O episódio reforçou as preocupações dos investidores com uma possível ampliação dos conflitos na região e seus impactos sobre o abastecimento mundial de combustíveis.
A valorização do petróleo tende a beneficiar empresas produtoras da commodity, como a Petrobras. Com isso, o movimento das cotações internacionais acabou se transformando em um importante vetor positivo para a Bolsa brasileira ao longo do pregão.
Minério de ferro dá suporte à Vale
Já do lado da mineração, a Vale também contribuiu para a alta do índice. As ações da companhia chegaram a subir mais de 2%, impulsionadas tanto pelo avanço dos preços do minério de ferro quanto pela repercussão de esclarecimentos da empresa sobre os planos envolvendo uma eventual abertura de capital da Vale Base Metals (VBM).
O cenário para o minério de ferro também mostrou sinais favoráveis. A commodity registrou a quarta sessão consecutiva de ganhos na China, apoiada pela redução dos embarques e por expectativas de recuperação sazonal da demanda chinesa. O contrato mais negociado em Dalian atingiu o maior nível desde o fim de julho.
Outro fator que ajudou o humor dos investidores foi o aumento das importações chinesas de minério de ferro em agosto. O maior consumidor mundial da commodity importou 108,54 milhões de toneladas no período, superando expectativas de queda e reforçando a percepção de demanda resiliente.
A força simultânea de petróleo e minério ocorre em um momento em que analistas já demonstram uma visão mais positiva para os ativos brasileiros. Em relatório divulgado nesta terça-feira, o Bank of America elevou sua recomendação para as ações do país, citando principalmente a expectativa de um ciclo mais intenso de queda da Selic.
Embora a tese principal do banco esteja ligada aos juros, o próprio relatório reconhece que o mercado brasileiro também encontra suporte na valorização das commodities. Segundo a instituição, a combinação entre petróleo e minério de ferro em alta, entrada recente de recursos estrangeiros e perspectiva de flexibilização monetária ajuda a explicar o desempenho superior do Ibovespa.
Trade eleitoral também reforça o movimento
Além da força das commodities, o mercado brasileiro também tem sido impulsionado pelo chamado “trade eleitoral”. Pesquisas recentes mostrando uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aumentaram as apostas de investidores em ativos domésticos, contribuindo para a valorização da Bolsa, queda do dólar e recuo das taxas de juros futuras.
O movimento ganhou força nesta terça-feira após pesquisas da Quaest e da BTG/Nexus indicarem um cenário mais competitivo na corrida presidencial. Segundo analistas e gestores, a mudança na percepção sobre as eleições já começa a provocar uma reprecificação dos ativos brasileiros, com investidores ampliando posições em Bolsa e em juros locais.
Gestoras como Quantitas, Legacy, Ibiuna, Verde e RPS Capital afirmam enxergar oportunidades em ativos brasileiros diante da possibilidade de mudança no cenário político em 2027. A RPS, por exemplo, destacou que uma oposição mais competitiva nas pesquisas pode gerar uma reprecificação relevante dos ativos nacionais, enquanto a Legacy avalia que os fatores domésticos justificam aumento de exposição ao Brasil mesmo em um ambiente externo mais desafiador.
Motores para a Bolsa
O cenário evidencia que a Bolsa brasileira tem contado com três importantes vetores de sustentação. De um lado, os investidores ampliam as apostas em um ambiente de juros mais baixos nos próximos anos. De outro, a expectativa de uma disputa eleitoral mais acirrada e a forte valorização das commodities favorece empresas que possuem grande participação na composição do índice.
Em um mercado em que Vale e Petrobras respondem por parcela significativa do Ibovespa, a combinação entre minério de ferro e petróleo em alta ajuda a explicar por que a Bolsa brasileira continua renovando máximas históricas e se aproximando da marca dos 190 mil pontos, mesmo em meio às incertezas do cenário internacional.
The post Além do trade eleitoral, commodities reforçam rali do Ibovespa appeared first on InfoMoney.


