O Ibovespa voltou a fechar com sinal negativo nesta terça-feira (18), marcando a 11ª queda consecutiva, sem conseguir sustentar a tentativa de recuperação que o colocou acima dos 168 mil pontos no melhor momento do pregão.
Bancos figuraram entre as maiores pressões negativas, conforme permanecem preocupações sobre o cenário de crédito no país, enquanto Petrobras (PETR3;PETR4) atuou como contrapeso, mesmo com o enfraquecimento da alta do petróleo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,27%, a 166.334,86 pontos, renovando a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023.
Na máxima da sessão, o Ibovespa marcou 168.389,49 pontos. Na mínima, registrou 166.211,30 pontos. No mês, o índice acumula até o momento uma queda de 6,51%.
Mesmo com o índice registrando alta durante a manhã, boa parte das ações do índice já operava praticamente estável, com investidores relutando em fazer grandes ajustes de posição diante da incerteza no cenário eleitoral brasileiro – que afeta as expectativas do mercado para o tamanho do ajuste fiscal em 2027 – e da falta de clareza sobre a evolução das negociações para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Segundo Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, após a forte saída de capital estrangeiro da bolsa nas últimas semanas, faltam elementos que possam dar apoio a uma recuperação do Ibovespa no curto prazo.
“O investidor local não bota muita fé nos ativos no momento”, afirmou Cima. “Aqui especificamente a gente tem um momento em que a volatilidade eleitoral está tomando conta, mesmo que não apareça de forma objetiva”, acrescentou.
Na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em tendência de baixa, após o rompimento de suporte em 168.700 pontos, mas a formação de um novo suporte em 164.800 pontos sugere que pode não avançar nas baixas e começar uma recuperação em busca de 173.000 pontos. “Caso o índice supere este patamar, conseguirá abandonar a tendência de baixa e voltará a ficar indefinido”, afirmaram no relatório Diário do Grafista.
Por outro lado, eles afirmaram que, se o cenário de repique não se confirmar e a pressão vendedora persistir, a atenção permanece voltada para o suporte de 164.800 pontos. “A perda desse nível poderá intensificar o movimento de baixa, com potencial de deslocamento até as regiões de 161.700 e 156.300 pontos.”
A Ágora Investimentos vai na mesma linha e aponta que o Ibovespa segue pressionado no curto prazo, mas o preço sugere enfraquecimento da força vendedora na região de 164.700 pontos após uma longa sequência de queda. “Esse comportamento pode abrir espaço para uma reação técnica de pullback, especialmente se o índice sustentar essa faixa. Ainda assim, a leitura segue frágil abaixo das médias curtas”, avalia.
Com a temporada de balanços praticamente encerrada no Brasil, analistas do Citi avaliaram que os resultados do segundo trimestre reforçaram uma crescente desconexão entre os fundamentos das empresas e o desempenho de suas ações no Brasil.
“Embora as companhias do Ibovespa tenham apresentado surpresas positivas agregadas de 1,8% em receitas e 5,3% em lucros, as ações caíram, em média, 1,3% após a divulgação dos resultados, sugerindo que boa parte das notícias favoráveis já estava precificada e foi ofuscada por preocupações macroeconômicas”, afirmaram em relatório a clientes na noite de segunda-feira.
Eles destacaram que as recentes saídas de capital estrangeiro, as incertezas em torno do ciclo eleitoral de 2026, as expectativas para os juros e os desdobramentos geopolíticos continuam exercendo influência maior sobre o mercado do que os fundamentos específicos das empresas.
O petróleo fechou em alta com o mercado reagindo ao enfraquecimento das perspectivas de um acordo entre Estados Unidos e Irã. A manutenção das tensões no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho também sustentou os preços. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para outubro fechou em alta de 0,38% (US$ 0,32), a US$ 84,06 por barril. O petróleo Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 0,17% (US$ 0,15), a US$ 91,02 o barril.
O Irã afirmou que adotará uma postura “totalmente ofensiva” e os EUA descartaram a possibilidade de estender o acordo de cessar-fogo, aumentando as preocupações com interrupções prolongadas no fornecimento de energia.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)
The post Ibovespa falha em reação e amplia sequência negativa no mês para 11 pregões de queda appeared first on InfoMoney.


