O Ministério Público Federal (MPF) entrou, na última segunda-feira (17/8), com uma ação na Justiça Federal contra o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) por discurso de ódio contra 14 etnias indígenas da região do Baixo Tapajós, no Pará.
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A ação cobra responsabilização civil e o pagamento de indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos devido a publicações em rede social contendo ataques às etnias indígenas do Baixo Tapajós.







O MPF quer a responsabilização de Renan Santos e do Movimento Renovação Liberal, responsável pelo Movimento Brasil Livre (MBL).
De acordo com o Ministério Público, as falas de Renan foram publicadas no perfil dele do Instagram durante episódios de protesto e ocupação do terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA), em janeiro de 2026.
“Em vídeos divulgados nas redes, Renan Santos dirigiu ofensas generalizadas à comunidade indígena, utilizando termos depreciativos como “vagabundos”, “picaretas” e “malandros”, além de alegar que os povos locais “vivem de mamata” e deveriam ser compulsoriamente colocados para trabalhar”, detalha o MP.
Além dos insultos, o MPF destacou que o conteúdo atacou diretamente a legitimidade e a identidade étnica das comunidades locais, ironizando traços fisionômicos e questionando a autenticidade de povos historicamente estabelecidos na região.
Resposta Renan
Durante o 11º Fórum CNT de Debates – Edição Presidenciáveis, na sede da CNT, em Brasília, Renan disse ser alvo do MPF após gravar um vídeo reclamando de “supostos indígenas criminosos que atacaram uma rodovia e deixaram centenas de caminhoneiros esperando em uma fila gigantesca”
“Isso prejudica não só o Pará, mas também o Mato Grosso, destruindo a possibilidade de construção de uma hidrovia que se conectaria com ferrovias e rodovias, melhorando o escoamento da nossa produção. Ou seja, existe uma política de sabotagem que é atropelada por uma suposta questão indígena, fomentada por uma deputada indígena ligada ao movimento indígena, com apoio do governo”, disse Renan.
Para Renan, o vídeo serviu para levantar o debate sobre a questão no âmbito nacional.
“O Ministério Público Federal exige de mim uma retratação pública, em 14 dias, para indígenas que supostamente ofendi, além do pagamento de R$ 200 mil a eles. Obviamente, ninguém é de ferro. Todo mundo precisa de um dinheirinho”, completou.

