A popularização das ofertas de crédito por empresas em meios digitais abriu espaço para fraudes. Criminosas copiam a identidade visual de grandes marcas para convencer os consumidores de que as propostas são verdadeiras.
— Os golpistas exploram justamente a credibilidade das marcas mais conhecidas. Eles copiam logotipos, identidade visual e perfis em redes sociais para criar mensagens que parecem legítimas — diz Eduardo José de Oliveira Costa, especializado em Responsabilidade Civil e Relações de Consumo e sócio do escritório Lopes Muniz Advogados.
Segundo ele, as tentativas de fraude circulam hoje em nome de bancos digitais, fintechs, plataformas de pagamentos, varejistas e aplicativos de serviços populares:
— O consumidor não pode confiar apenas porque reconheceu a marca na mensagem.
Há sinais que denunciam as armadilhas. O mais evidente é a cobrança antecipada.
— O principal sinal de fraude é a exigência de dados excessivos ou de qualquer pagamento prévio, seja a título de taxa de liberação, seguro ou impostos, para conceder o crédito. Instituições autorizadas e empresas sérias jamais solicitam depósitos antecipados — afirma Luis Fernando Prado, especialista em direito digital proteção de dados e sócio do escritório Prado Vidigal Advogados.
Outro alerta imediato, segundo o advogado, é o pedido de transferência ou Pix para contas de pessoas físicas ou de terceiros. O perigo, porém, começa antes de a pessoa digitar qualquer informação. Basta abrir o endereço enviado.
— O simples ato de clicar no endereço eletrônico pode direcionar o consumidor para páginas maliciosas capazes de capturar dados de conexão, informações do navegador ou executar programas automatizados. Não é preciso preencher formulários para colocar a segurança digital do celular ou do computador em risco — alerta Luis Fernando Prado.
Ao abrir o link, a página falsa consegue rodar programas sem ação do usuário. Eles podem instalar um vírus no aparelho, capturar senhas já salvas no navegador ou dar acesso a contas abertas no celular.
Para o advogado Eduardo José, a proteção passa por três hábitos simples:
— Nunca pague para receber um empréstimo, desconfie da urgência e sempre confirme qualquer oferta diretamente nos canais oficiais da empresa.
Como saber se a proposta é verdadeira
Os números de telefone usados nas abordagens costumam vir de vazamentos.
— Os criminosos utilizam informações obtidas em vazamentos de dados, cadastros compartilhados irregularmente e até invasões de contas de e-mail. O cruzamento dessas informações permite que eles abordem a vítima pelo nome e transmitam uma falsa sensação de legitimidade — explica Costa.
Quem quiser mesmo o empréstimo não deve usar o link recebido.
— O caminho mais seguro é contratar o serviço exclusivamente por meio do site ou do aplicativo oficial da marca — orienta o advogado Luis Fernando Prado.
Se a oferta for verdadeira, ela vai estar disponível na área do cliente dentro do próprio aplicativo ou site. Na dúvida, vale ligar para o atendimento oficial. Também é possível consultar a página do Banco Central para confirmar se a instituição financeira parceira por trás da oferta está autorizada a operar.
Quem cair no golpe deve registrar um boletim de ocorrência, avisar a instituição financeira envolvida e comunicar a empresa cujo nome foi usado. O caso também pode ser levado ao Procon.
Golpes mais praticados
O advogado Eduardo José de Oliveira Costa aponta quais são as fraudes mais praticadas pelos golpistas envolvendo créditos oferecidos por empresas que não fazem parte do sistema financeiro.
Golpe da ‘Taxa de Liberação’
O golpista entra em contato com a vítima pelo WhatsApp se passando por empresas têm empréstimos entre seus produtos financeiros, ofertando um alto valor de crédito com juros baixos. Durante o contato, o bandido diz que a liberação do montante depende do pagamento de uma taxa de seguro de R$ 250 via Pix. Porém, uma empresa séria e autorizada pelo Banco Central nunca pede pagamento antes de o dinheiro cair.
Golpe do Link Falso
A vítima recebe um SMS em nome de uma empresa com a mensagem “Você tem R$ 8 mil pré-aprovados. Clique e resgate em 10 minutos”. O link leva para uma página idêntica à da empresa, onde a pessoa coloca CPF, senha, dados do cartão. Com essas informações, o golpista faz empréstimo, acessa conta e até clona o cartão. Em muitos casos, nem é preciso preencher nada: ao clicar no link, o vírus é baixado para o celular.
Golpe do ‘Crédito Aprovado por Vazamento’
Neste golpe, a vítima recebe uma mensagem informando que ,por causa de um vazamento de dados, o governo supostamente liberou R$ 5 mil para a pessoa por meio de uma empresa. O consumidor é orientado a clicar em um link para sacar o valor. Os golpistas usam o medo e o nome de uma marca grande para induzir a vítima a informar seus dados pessoais e, assim, realizam empréstimos fraudulentos.
Golpe do Boleto Falso após ‘aprovação’
Nesta modalidade de golpe, a vítima supostamente tem um crédito aprovado em um valor fictício de R$ 15 mil. No entanto, os golpistas enviam um boleto de R$ 600 sob o pretexto de pagamento da primeira parcela de forma antecipada. A vítima acaba pagando um crédito que nunca existiu, pois o boleto era falso.
Golpe do falso consignado
O criminoso se passa por banco e diz que a vítima tem um consignado pré-aprovado pelo INSS ou pela empresa. Para concluir a suposta operação, pede os dados da pessoa e manda um contrato falso. Ele alega que é necessário depositar a primeira parcela ou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) via Pix para liberar os valores. Mas um consignado verdadeiro não exige depósito.
Golpe do falso gerente
Nesse golpe, um falso gerente de empresa de telefonia ou de varejo liga dizendo que sua conta está com movimentação suspeita. O criminoso oferece um crédito no formato de seguro para “proteger” a conta e pede que a vítima instale um aplicativo de acesso remoto. Após a instalação, o golpista assume o controle de seu celular, entra no seu banco e faz Pix e empréstimos sem a pessoa ver.
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