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“Juros vão cair”: gigantes estrangeiros rejeitam pessimismo com Brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
“Juros vão cair”: gigantes estrangeiros rejeitam pessimismo com Brasil

Enquanto o investidor estrangeiro tira dinheiro da Bolsa brasileira, algumas das maiores gestoras do mundo estão olhando para o outro lado do mercado local: os títulos públicos brasileiros em moeda local entre os destaques do universo de mercados emergentes para alguns gigantes globais, que citam o juro elevado e o IPCA em queda que mantêm o País com um dos maiores juros reais do mundo.

O Morgan Stanley Investment Management mantém exposição acima da média em dívida emergente em moeda local justamente por meio dos títulos brasileiros. Para o banco, os juros acima de 14% e uma inflação que descreve como próxima da meta abrem espaço para o Banco Central seguir cortando a taxa básica. “Juros seguirão caindo, e juros mais baixos vão impulsionar o crescimento, melhorar o déficit fiscal e atrair fluxos de investidores”, escreve a casa em relatório.

A leitura sobre inflação, no entanto, é mais otimista do que a do mercado local. O boletim Focus de 10 de agosto projeta IPCA de 5% neste ano e de 4,2% em 2027, ambos acima da meta.

Na renda fixa global, o banco segue underweight (equivalente a venda) com preferência por papéis securitizados nos Estados Unidos, o que mostra que a aposta brasileira é seletiva e não um movimento amplo de tomada de risco na classe.

Credibilidade do BC entra na conta

A Fidelity International chega a conclusão parecida no seu panorama de alocação para o terceiro trimestre. A gestora afirma que continua favorecendo mercados latino-americanos, com destaque para Brasil e México. “Os bancos centrais estabeleceram credibilidade no combate à inflação e os juros reais seguem atrativos”, reforça a casa. “Juros reais elevados, política monetária crível e fundamentos domésticos favoráveis formam uma combinação atrativa”.

A comparação é feita com parte da Ásia, região que a casa considera mais vulnerável a um dólar forte e à energia mais cara. Na avaliação da Fidelity, o desempenho da dívida local emergente daqui para frente vai depender cada vez mais da escolha de país, e não da exposição à classe como um todo.

O HSBC Asset Management é bem mais cauteloso com a categoria e não coloca o Brasil entre suas posições preferidas, mas reconhece o mesmo mérito da região. O banco observa que o encolhimento da diferença entre os juros reais dos emergentes e os americanos reduz o espaço para novos cortes e limita o ganho potencial desses títulos.

O ponto positivo, na leitura do HSBC, é que Brasil e México entraram neste ciclo com credenciais melhores porque começaram a subir juros cedo, entre 2021 e 2022, o que dá aos seus bancos centrais mais margem de manobra agora que a inflação cede. “A próxima fase do ciclo deve premiar a seletividade”, diz a gestora, em nota a clientes.

O que pode dar errado

O maior risco para a tese está fora do Brasil. A Fidelity revisou sua expectativa para o Federal Reserve e agora trabalha com política monetária restritiva por mais tempo nos Estados Unidos, sem descartar novas altas ainda neste ano caso a inflação por lá não ceda.

A BlackRock reforça esse pano de fundo, alertando que o rendimento da Treasury de 30 anos chegou a 5,28%, máxima em 19 anos, dentro da sua tese de que a escassez de energia, capital e mão de obra mantém a inflação e o custo do dinheiro elevados no mundo.

Quando o juro americano sobe, o ativo brasileiro perde atratividade relativa e o câmbio costuma absorver parte do ajuste, canal que já apareceu nas discussões do mercado local depois da ata do Copom.

Enquanto isso, o apetite segue oposto na renda variável. Segundo dados da B3, os estrangeiros retiraram R$ 5,55 bilhões da Bolsa apenas até 7 de agosto, movimento que ganhou força nos dias seguintes e levou o Ibovespa a perder os 170 mil pontos. No primeiro semestre, o saldo havia sido positivo em R$ 33,8 bilhões.

O movimento veio em meio à decisão do JPMorgan de rebaixar o Brasil de overweight (equivalente a compra) para neutro, reduzir a projeção do Ibovespa no fim de 2026 de 190 mil para 185 mil pontos e passar a esperar apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro, seguido de uma pausa longa.

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