O senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência, apareceu como filiado ao Partido Missão, do também candidato ao Planalto Renan Santos (Missão), na última quinta-feira (13). O ocorrido impediu o registro da candidatura de Flávio no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) — o que foi resolvido horas depois.
A filiação fraudulenta, considerada crime de inserção de dados falsos em sistema de informações, gerou um entrave sobre de quem seria a responsabilidade. O crime ainda motivou o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, a suspender temporáriamente o sistema de filiações partidárias para “garantir que não haverá novas tentativas indevidas de registro.”
No registro falsificado, o autor do cadastro colocou como endereço do senador como “Rua dos Bandidos”, número 666, no “Bairro Miliciano”, no Rio de Janeiro.
Logo após a identificação do problema pela campanha de Flávio, o TSE descartou a possibilidade de hackeamento do sistema e disse que a filiação partiu de alguém com credenciais do partido Missão. Mais tarde, o presidente da Corte também instaurou um inquérito para apurar o caso.
“O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”, afirmou a Corte.
Quem é o responsável pelo crime?
Em nota, a legenda de Renan Santos disse ter sido vítima de uma “tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro“. O partido também alega que tentou realizar o cancelamento da filiação e que contatou a campanha do senador.
“O Partido Missão vem a público informar que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE“, disse a legenda. “O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos“, completa a nota.
Em resposta, Flávio disse que seu gabinete achou que os e-mails de filiação ao partido Missão se tratavam de “spam.”
No rota contrária da declaração do Missão, segundo apuração da CNN, autoridades informaram ao PL que o nome identificado como autor do crime é um filiado do Missão com função diretiva na legenda.
O nome já foi encaminhado à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República) para que a investigação tenha andamento. Também foram identificados o local do acesso, o log e o horário.
A dúvida das autoridades é se foi de fato essa pessoa investigada que cadastrou Flávio diretamente no sistema ou se os dados dela é que foram usados para o acesso.
Segundo o TSE, o presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também teve uma solicitação de troca de filiação identificada no sistema, mas que “não chegou a ser efetivada“. Como mostrou a CNN, a tentativa era de filiar Lula ao DC (Democracia Cristã).

