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Melhora no cenário de juros cria risco duplo para ativos isentos de IR, alerta Sparta

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Melhora no cenário de juros cria risco duplo para ativos isentos de IR, alerta Sparta

As debêntures incentivadas vivem hoje um equilíbrio frágil e podem enfrentar dois ajustes ao mesmo tempo, diante da perspectiva de continuidade do ciclo de queda dos juros, mesmo com a isenção de Imposto de Renda que ajuda a sustentar a demanda pela classe. A avaliação é da Sparta, gestora especializada em crédito privado.

A constatação vem após um mês de julho sem maiores sobressaltos para os papéis isentos, mas ainda sem sinal de recuperação saudável da classe. “Os preços permanecem elevados, mas são sustentados pela redução simultânea da oferta e da pressão vendedora, e não pela recuperação estrutural da demanda”, afirmou a gestora em carta mensal.

A Sparta observou uma leve abertura de spreads nas debêntures incentivadas ao longo do mês. Ao mesmo tempo, os pedidos de resgate diminuíram, mas a captação não voltou, e caíram os volumes negociados tanto no secundário quanto no primário.

O IDEX-Infra, índice calculado pela IDEX Analytics que mede o prêmio das debêntures incentivadas sobre a NTN-B de referência, fechou julho em 36,56 pontos-base, patamar bem abaixo da máxima de 52,42 pontos-base registrada em maio deste ano.

Enquanto as incentivadas abriam, as debêntures indexadas ao CDI seguiram na direção oposta. O IDEX-DI, que acompanha o spread desses papéis excluindo ativos estressados, fechou julho em 1,61%, com compressão de 11 pontos-base no mês, abaixo tanto da média histórica de 1,69% quanto da média de 2026, de 1,78%.

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No caso das incentivadas, a menor pressão de venda ajudou a evitar uma abertura mais intensa, enquanto a oferta reduzida diminuiu a necessidade de absorção de novos ativos. O resultado foi um mercado relativamente estável, ainda que com pouca atividade e sem evidência de entrada relevante de um novo comprador marginal.

No mercado primário, a gestora analisou 18 emissões em julho, que somaram R$ 21 bilhões. Desse total, apenas R$ 2 bilhões corresponderam a debêntures incentivadas. A maior parte, R$ 13,6 bilhões, foi para ativos indexados ao CDI, incluindo uma operação de troca de debêntures de R$ 10 bilhões.

A sensibilidade desse mercado ficou clara em episódios pontuais, pontuou a Sparta: uma oferta primária relativamente pequena de debênture incentivada, com prêmio cerca de 15 pontos-base acima do spread de ativos equivalentes, bastou para provocar reprecificação de mesma intensidade no secundário de diversos emissores.

Os dois riscos para os isentos

O primeiro risco apontado pela Sparta está no mercado de debêntures não incentivadas, ou seja, as que não têm o benefício da isenção de IR. Elas servem de referência para a precificação dos papéis isentos quando emissores e riscos são comparáveis, e seus spreads seguem comprimidos, amparados pelos níveis elevados de caixa dos fundos e por carteiras curtas. Mas, segundo a gestora, esse suporte técnico tem limite.

Uma melhora consistente do cenário, embora positiva para os fundamentos das companhias, pode levar os investidores a retomar risco em outras classes. De forma contraintuitiva, aponta a gestora, o risco de crédito pode melhorar enquanto o risco de spread aumenta. Se os spreads não incentivados se ampliarem por causa dessa rotação, a referência de remuneração dos incentivados também muda.

O segundo risco está na própria isenção. A queda dos juros reduz o valor econômico do benefício, porque o imposto evitado passa a incidir sobre uma remuneração menor. O pano de fundo é um ciclo de flexibilização em curso. Depois do fechamento de julho, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano.

Os dois movimentos podem se somar. Nesse cenário, escreve a Sparta, os papéis isentos enfrentariam “dois ajustes simultâneos: alternativas tributadas mais bem remuneradas e menor vantagem associada ao benefício fiscal”.

A conclusão da gestora reforça a mensagem que vem repetindo ao longo de 2026, de que “debêntures incentivadas não são apenas instrumentos de carrego e benefício fiscal”, já que carregam risco de spread, risco de fluxo e volatilidade de marcação a mercado.

Onde a gestora está posicionada

Diante desse quadro, a Sparta diz manter liquidez, prazos mais curtos e flexibilidade nas carteiras, preparada tanto para atravessar eventuais ajustes de preços quanto para aproveitar oportunidades com melhor relação entre retorno e risco. A casa afirma preferir esse posicionamento a estratégias cujo retorno dependa apenas da manutenção dos spreads nos níveis atuais ou de nova compressão.

Na comparação entre as classes, as incentivadas parecem mais interessantes no relativo do que os ativos não incentivados, nos quais a relação entre retorno e risco segue pouco favorável, ainda que os níveis atuais de preço reflitam esse equilíbrio frágil. A gestora também se declara mais construtiva com estratégias prefixadas e indexadas à inflação, voltadas a investidores com horizonte longo, porque nesses casos o retorno esperado depende mais do comportamento das curvas de juros do que da compressão dos spreads de crédito.

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