O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) se reúne nesta quarta-feira (29) para anunciar a decisão sobre a política monetária nos Estados Unidos. Diferente das outras reuniões, em que, aqui no Brasil, o Banco Central também anunciou a decisão da taxa de juros doméstica, nesta semana, apenas os EUA vão se reunir.
E as mudanças não param aí. Diferente das reuniões anteriores, as projeções do mercado não estão tão alinhadas como de costume.

Dólar hoje sobe 0,17%, a R$ 5,12, com cautela na véspera da decisão do Fed
Investidores digerem dados da prévia da inflação, enquanto se preparam para decisão sobre juros na quarta-feira

Por que essa quarta não é “Super”? E quando será a próxima dobradinha Fomc-Copom?
Na verdade, quando as datas das reuniões são as mesmas é quase uma coincidência
De acordo com Gustavo Spinola, estrategista chefe da RB Investimentos, cerca de 70% dos agentes esperam por uma manutenção da taxa de juros, enquanto mais ou menos 30% apostam em elevação de 0,25 ponto percentual. Para o Bradesco, a expectativa pende mais para a manutenção da taxa em 3,75%.
Segundo o economista, além da expectativa para a decisão, o mercado também ficará de olho no tom e no volume de informações divulgados pelo Fed. Para Spinola, caso o comunicado seja sucinto e apresente um tom similar aos do início do ciclo anterior, é possível que o mercado reduza a precificação de altas para a reunião de agosto.
“Esse cenário favoreceria a desvalorização do dólar frente a outras moedas, a queda nas taxas de juros e o fortalecimento das bolsas”, afirma. Ao mesmo tempo, de maneira inversa, qualquer sinalização de endurecimento na política monetária pode acabar provocando o movimento oposto.
Comunicado ‘duro’
Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, acredita que o comunicado deverá seguir “duro”, em linha com os recentes discursos de Kevin Warsh. Para o economista, o texto deve reforçar que o Fed não será complacente com uma inflação acima da meta, como observado nos últimos cinco anos.
Segundo Passos, ainda que possa ter algum movimento de juros de curto prazo após a decisão, o discurso mais duro deve deixar em aberto a possibilidade de altas nas próximas reuniões. De acordo com ele, as próximas decisões devem ficar ainda mais dependentes da evolução dos dados.
Com o risco de novas altas de juros crescendo, diante da possibilidade de choques adicionais de oferta, o economista afirma que pode se esperar alguma abertura de taxas e dólar mais forte.
“Para a bolsa americana, o cenário ainda se mostra favorável”, explica. Conforme Passos, o crescimento dos lucros segue robusto e a eventual alta de juros seria interpretada mais como um adiamento do ciclo de afrouxamento monetário do que como uma mudança estrutural à frente.
Já no Brasil, os DIs podem abrir com alta das taxas das treasuries, enquanto real pode depreciar com dólar mais forte.
O que esperar das próximas reuniões?
A trajetória dos juros nos Estados Unidos até o fim de 2026 deve continuar cercada de incertezas, na avaliação dos especialistas ouvidos. Embora a expectativa majoritária seja de manutenção da taxa nesta reunião, o consenso é que os próximos passos do Federal Reserve dependerão principalmente da evolução da inflação e dos riscos associados ao cenário geopolítico.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avalia que o cenário-base continua sendo de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75%, mas destaca que a atenção do mercado estará concentrada na comunicação do Federal Reserve.
Segundo ele, uma eventual mudança no tom do comunicado pode fornecer pistas importantes sobre os próximos passos da autoridade monetária, especialmente em um contexto de pressões inflacionárias associadas à alta dos preços da energia, ao aumento dos investimentos ligados à inteligência artificial e aos efeitos das tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a melhora recente dos indicadores de inflação ajuda a afastar a necessidade de novas altas no curto prazo. No entanto, ele avalia que a dinâmica dos preços de energia continuará sendo um fator determinante para as próximas decisões, o que justifica uma postura cautelosa por parte da autoridade monetária americana.
Caio Ignácio, especialista em investimentos e fundador da Boa Brasil Capital, acredita que o mercado precisará se adaptar a uma nova dinâmica sob a liderança de Kevin Warsh. Segundo ele, o novo presidente do Fed tem reduzido significativamente as sinalizações antecipadas sobre os rumos da política monetária, o que aumenta a incerteza dos investidores e tende a elevar a volatilidade antes de cada reunião.
Na visão de Ignácio, dois fatores serão decisivos para o restante do ano: a evolução do conflito no Oriente Médio e os efeitos das tarifas aplicadas pelo governo americano sobre a inflação. Caso esses elementos continuem pressionando os preços ao consumidor, o espaço para cortes de juros pode ficar mais limitado do que o mercado espera atualmente.
O especialista afirma ainda que, em um cenário de persistência das pressões inflacionárias, não é possível descartar novas altas de juros nos próximos encontros do Fed. Para ele, uma elevação adicional de 0,25 ponto percentual, que até recentemente parecia improvável, passou a fazer parte do conjunto de cenários considerados pelo mercado.
Thais Machado, especialista em investimentos e sócia da GT Capital, também vê risco de aperto monetário adicional nos próximos meses. Embora espere manutenção dos juros agora, ela avalia que a inflação pode voltar a ganhar força caso os preços do petróleo permaneçam elevados, afetando custos de energia, transporte e outros setores da economia americana.
Segundo Machado, a condução mais reservada de Kevin Warsh deve tornar cada decisão do Fed ainda mais dependente dos dados econômicos. Para a especialista, a autoridade monetária deve adotar uma postura cautelosa até o fim do ano, mantendo a flexibilidade para reagir a eventuais pressões inflacionárias e deixando aberta a possibilidade de novas altas de juros caso os riscos para os preços se intensifiquem.
The post Dólar pode ficar mais forte amanhã? O que esperar do mercado após o FOMC appeared first on InfoMoney.

