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Quadro das contas públicas só tende a piorar nos próximos anos, diz gestor da Armor

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Quadro das contas públicas só tende a piorar nos próximos anos, diz gestor da Armor

Alfredo Menezes, presidente e diretor de investimentos da Armor Capital, diz manter 60% do risco de seu fundo aplicado fora do país.

Na avaliação dele, o quadro das contas públicas brasileiras só tende a piorar nos próximos anos. “É melhor eu não estar no Brasil.”

O raciocínio parte de uma conta simples. A dívida pública equivale a cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) e os juros reais rodam perto de 8% ao ano.

Para estabilizar esse endividamento, seria preciso somar algo próximo de 6,4% do PIB entre o superávit primário — a economia que o governo faz antes de pagar os juros — e o crescimento da economia.

A análise foi feita no programa Stock Pickers, comandado por Lucas Collazo, em conversa dedicada à trajetória e às apostas do gestor.

O problema, para Menezes, está justamente aí: fechar um superávit primário de 1% do PIB já é tarefa difícil, e o país, diz ele, “não tem estrutura para crescer durante 10 anos”.

Ainda assim, ele não acredita que o cenário se arraste por uma década.

“Daqui a uns dois, três anos, a gente vai ter um clima de dominância fiscal. Vamos ter que fazer a lição de casa”, frisa. Entre as medidas necessárias, aponta uma nova reforma da Previdência.

Previdência e envelhecimento no radar

Para o gestor, o maior risco às contas públicas vem da mudança no perfil da população.

Com mais idosos e menos nascimentos, haverá “cada vez menos jovens sustentando os velhos que foram aposentados”, afirmou. Por isso, ele prevê um problema fiscal “muito sério” à frente, sobretudo na Previdência.

Menezes também desconfia do baixo desemprego. Segundo ele, o número não retrata a realidade, porque a pesquisa mede quem procura trabalho, e não quem de fato está empregado.

Ele associa parte dessa distorção ao aumento do Bolsa Família para R$ 600 no governo Bolsonaro, que, em sua opinião, desestimulou a procura por vagas.

O resultado, na leitura do gestor, é um potencial de crescimento menor do que no passado.

“Eu, infelizmente, não consigo ficar muito otimista para o Brasil a médio prazo”, resumiu.

O envelhecimento da população, acrescenta, deve piorar ainda mais esse quadro.

Foi essa combinação de contas apertadas e crescimento fraco que o levou a mirar oportunidades fora do país — mesmo mantendo, segundo ele, um nível de risco baixo no momento.

Maior aposta externa está na bolsa americana

Menezes faz questão de explicar o que significam os 60% lá fora.

“Não é 60% do patrimônio do fundo”, ressaltou.

O porcentual se refere ao risco alocado, ou seja, à parcela das apostas que pode gerar ganho ou perda, e não ao total de recursos sob gestão.

A maior aposta externa está na bolsa americana.

Ele avalia que o índice S&P 500 deve ter desempenho melhor daqui para frente, sustentado não só pela inteligência artificial, mas pela economia dos Estados Unidos como um todo.

Um eventual fim do conflito internacional, diz, daria novo impulso ao mercado de lá.

O gestor também opera bancos, dentro e fora do Brasil, comprando as ações que considera mais promissoras e vendendo as mais frágeis ao mesmo tempo.

No crédito, porém, é seletivo: a Armor empresta apenas para instituições financeiras, e não para empresas.

No Brasil, o risco está baixo. Menezes conta que tem preferido operar no mesmo dia a carregar posições grandes de um dia para o outro, e que hoje está bastante líquido.

Sua maior posição de risco por aqui é um único título público, a NTN-B 2035, que paga a inflação mais juros.

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