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JPMorgan eleva Yduqs para compra e rebaixa Ânima com visão sobre juros; YDUQ3 salta

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

O JPMorgan Chase & Co. revisou suas perspectivas para o setor de educação no Brasil diante de uma curva de juros da Selic mais “achatada”, o que altera as projeções de custo de capital e impacto sobre empresas alavancadas.

Nesse contexto, o banco elevou a recomendação da Yduqs (YDUQ3) de neutra para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), destacando forte geração de caixa livre e valuation considerado descontado frente aos pares. Já a Ânima Educação (ANIM3) foi rebaixada de overweight para neutra, com retirada de preço-alvo, refletindo um cenário mais desafiador para juros e deterioração operacional.

As ações reagem na sessão desta segunda-feira (22), com YDUQ3 saltando 6,35%, a R$ 8,54, enquanto ANIM3 caía 7,33%, a R$ 2,53, às 10h19 (horário de Brasília).

Segundo o relatório, a projeção da Selic mais elevada por mais tempo (14% no fim de 2027, versus 10% anteriormente) impacta diretamente empresas mais alavancadas e sensíveis ao custo da dívida, como a Ânima.

O banco mantém preferência por Ser (SEER3), Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3), enquanto mantém postura neutra para Ânima e Afya.

Yduqs (YDUQ3)

O JPMorgan tem agora recomendação de compra para Yduqs, com preço-alvo de R$ 16,50, sustentada pela forte geração de caixa livre, que deve continuar permitindo redução consistente do endividamento, atualmente em 2,1 vezes dívida líquida/EBITDA proporcional (ex-IFRS16). Segundo o banco, esse processo abre espaço para retorno de capital aos acionistas.

A tese também se apoia no fato de que as ações negociam com desconto relevante frente aos pares, com avaliação considerada atrativa mesmo após a incorporação do impacto negativo da curva mais alta de juros. Na visão da análise, o valuation atual já precifica amplamente o cenário desafiador da Selic.

Entre os principais riscos para a recomendação e para o preço-alvo estão a manutenção da Selic em patamar mais elevado por mais tempo do que o esperado, deterioração do cenário macroeconômico com impacto negativo sobre o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de ativos não médicos e pressão sobre tickets e margens do segmento médico devido ao aumento da oferta de vagas na área.

Ânima (ANIM3)

A Ânima Educação é apontada pelo JPMorgan como a empresa mais exposta à trajetória da Selic dentro da cobertura, devido ao maior nível de alavancagem. Além do impacto dos juros, o banco destaca desafios operacionais ligados à adaptação dos cursos híbridos ao novo marco regulatório, o que tem afetado evasão e geração de receitas. Nesse contexto, a instituição cortou estimativas de lucro e retirou o preço-alvo da ação, indicando um valor justo inferior ao anterior.

Nas projeções, o banco reduziu a receita em 1,7% em 2026 e 3,2% em 2027, para R$ 4,18 bilhões e R$ 4,29 bilhões, respectivamente, com revisões negativas em todos os segmentos, especialmente no ensino a distância e na Inspirali.

O EBITDA também foi revisado para baixo em 2,5% e 3,8%, com leve compressão de margens. No lucro líquido, a estimativa para 2026 foi mantida em R$ 261 milhões, mas a de 2027 caiu 42%, para R$ 232 milhões, ficando bem abaixo do consenso, pressionada por piora operacional e maior despesa financeira.

Para o 2T26, a expectativa é de receita de R$ 1,024 bilhão, alta de 1,8% na comparação anual, com EBITDA de R$ 361 milhões e margem de 35,3%. O lucro líquido projetado é de R$ 21 milhões, abaixo das estimativas de mercado.

Cogna (COGN3)

O JPMorgan manteve recomendação de compra para Cogna Educação, com base na melhora das tendências do segmento de ensino presencial (campus) e em um mix de negócios considerado menos arriscado. O banco também vê um cenário mais favorável para crescimento de receita em 2026, sustentado por maior momento operacional no curto prazo.

A Cogna Educação teve ajustes mais moderados, com receita praticamente estável em 2026 e queda de 3% em 2027. O EBITDA foi reduzido em 5,9% e 4,3%, com leve compressão de margens.

Apesar disso, o banco segue levemente acima do consenso em receita e abaixo em EBITDA. O lucro projetado é de R$ 447 milhões em 2026 e R$ 654 milhões em 2027.

No 2T26, a receita deve crescer 17% na comparação anual, com forte desempenho do ensino básico e avanço no presencial, enquanto o EBITDA deve subir 13%, acima do consenso.

Ser Educacional (SEER3)

O JPMorgan manteve recomendaçaõ de compra para Ser, com preço-alvo de R$ 20, sendo vista como uma empresa descontada com perspectiva operacional favorável. O banco destaca a continuidade do crescimento na oferta de vagas de medicina, segmento considerado estratégico para a companhia.

Nos últimos dois anos, a Ser adicionou 480 vagas de medicina, alta de 92%, muitas delas obtidas por meio de liminares judiciais. Com isso, a participação da receita médica deve avançar de 19% em 2024 para 26% em 2031, indicando aumento relevante da relevância desse segmento no mix de receitas.

A Ser Educacional teve ajustes mistos, com queda de 1,1% na receita de 2026 e alta de 1,8% em 2027. O EBITDA foi reduzido em 1,7% e 1,6%, com margens praticamente estáveis.

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