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Quer casar? Saiba como juros compostos podem aumentar o orçamento da festa

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Quer casar? Saiba como juros compostos podem aumentar o orçamento da festa

O sonho do casamento é, para muitos casais, um dos momentos mais esperados da vida a dois. Porém, a celebração desse matrimônio exige muito mais do que amor e planejamento emocional, mas precisa que os noivos tenham uma boa dose de inteligência financeira.

Em um país onde o custo médio de uma festa pode passar dos R$ 70 mil, a depender da quantidade de convidados, o principal desafio é tentar não se endividar para comemorar a união. Para isso, especialistas explicam que entender a dinâmica do orçamento e, principalmente, o impacto dos juros compostos, é fundamental.

O segredo está em encarar a festa como um projeto com data para acabar. Ela deve ser paga com o dinheiro que sobra no mês e com investimentos de curto prazo, mantendo a reserva de emergência do casal totalmente protegida.

Festa de casamento que cabe no bolso

“Planejar um casamento é como construir uma casa: você precisa de um projeto sólido antes de colocar o primeiro tijolo”, afirma Enivalda Pina, economista e docente da Faculdade Santa Marcelina.

Ela recomenda seguir três passos essenciais na hora do planejamento: conversar francamente sobre expectativas e realidade financeira, pesquisar custos e, por fim, confrontar os desejos com a capacidade de pagamento.

“Definam um teto de gastos realista, considerando suas rendas, despesas fixas e a capacidade de poupança mensal. Priorizem o que é inegociável para vocês e estejam abertos a fazer concessões em outros pontos. Uma planilha detalhada é sua melhor amiga neste processo, permitindo que cada gasto seja registrado e acompanhado de perto”, revela.

Fabiana Fracalossi, planejadora financeira CFP pela Planejar traz outra dica para descobrir o valor real que o casal pode investir no evento sem passar sufoco. Para isso, o cálculo deve somar três fontes:

  • Dinheiro guardado para o curto prazo: quantia que já está na poupança ou na conta corrente e que não faz parte da reserva de emergência nem da aposentadoria;
  • Capacidade de economia mensal: quanto do salário que pode ser separado todos os meses, até o dia do casamento, exclusivamente para essa finalidade;
  • Ajuda da família: contribuições de pais ou parentes, que devem ser vistas como um bônus, e não como a base do orçamento.

Desse total, basta subtrair os custos fixos atuais e o dinheiro já utilizado para pagar contas ou dívidas antigas. O que sobrar será o teto de gastos.

“Se o orçamento dos fornecedores ultrapassar esse limite, a solução não é pegar um empréstimo, mas sim reduzir o tamanho da festa ou adiar a data para dar tempo de juntar mais”, alerta Fracalossi.

Juros compostos: o vilão da festa e aliado do planejamento

Os juros compostos podem ser os maiores aliados ou piores inimigos dos noivos, dependendo de como eles são utilizados.

No contexto do casamento, aqueles que recorrerem a financiamentos, empréstimos ou parcelamentos longos para cobrir os custos da festa podem ver essas taxas como vilãs. Isso porque fazem o valor final da festa crescer exponencialmente, virando uma bola de neve de dívidas.

“É um ciclo que, se não for controlado, pode comprometer a estabilidade financeira do casal por anos”, diz Pina, da Faculdade Santa Marcelina.

Por outro lado, há como driblar os juros compostos com planejamento antecipado. Os casais que decidem investir o valor da festa em renda fixa — produtos financeiros seguros e com maior previsibilidade — conseguem se esquivar do efeito “bola de neve”.

“Opções como o Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária de bancos conhecidos são excelentes. O dinheiro fica rendendo de forma segura até o dia de pagar os fornecedores, protegendo o seu poder de compra contra a inflação”, comenta a planejadora financeira.

Outra forma de reduzir os custos pode ser uma maior estratégia nas compras dos serviços da festa. Muitos fornecedores dão descontos de 10% a 15% para quem paga o valor total antecipado, por exemplo.

Além disso, é possível usar o cartão de crédito em alguns casos para garantir melhores condições de pagamento.

“Se o fornecedor fizer o mesmo preço à vista ou parcelado no cartão (sem juros), prefira parcelar. Deixe o dinheiro total rendendo no Tesouro Selic e vá resgatando apenas o valor de pagar a fatura todo mês. Assim, o dinheiro trabalha para você até o último minuto”, afirma.

O tempo é o melhor amigo do bolso dos noivos

Segundo as especialistas, o período recomendado para organizar as finanças de um casamento fica entre 12 e 24 meses antes do grande dia:

  • De 18 meses ou mais (Ideal): é possível juntar o dinheiro em parcelas mensais menores, pesquisam fornecedores sem pressa e conseguem os melhores preços e descontos;
  • 12 meses (Mínimo recomendado): exige um esforço financeiro maior mês a mês, mas ainda dá margem para negociar bem;
  • Menos de 6 meses (Zona de perigo): O risco de tomar decisões por impulso, aceitar preços abusivos pela urgência ou contrair dívidas desnecessárias é altíssimo.

“O planejamento de um casamento não termina quando a pista de dança esvazia. Ele serve como o primeiro grande exercício de diálogo, metas e transparência financeira do casal”, reitera Fracalossi.

Começar a vida a dois com as contas organizadas e sem o estresse das parcelas atrasadas é o melhor presente dessa nova etapa da vida.

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