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CPI mostra inflação “teimosa” em serviços e risco de alta de juros nos EUA continua

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
CPI mostra inflação “teimosa” em serviços e risco de alta de juros nos EUA continua

O avanço de 0,5% na inflação americana de maio veio em linha com o esperado, mas frente a maio do ano passado a inflação já chega a 4,2%, maior valor desde abril de 2023. A alta em energia se repete pelo terceiro mês consecutivo, refletindo o impacto do conflito no Oriente Médio – em três meses, o avanço foi de quase 20%.

Segundo o Bradesco, o número oferece um respiro pontual, mas não tira o ônus da prova com relação às pressões inflacionárias da economia americana.

No balanço geral, os economistas acreditam que o Federal Reserve terá poucos argumentos para reduzir as taxas de juros neste ano – na verdade, os riscos da necessidade de uma elevação estão crescendo.

Leia também: Nova alta nos juros nos EUA entra no radar após alerta de inflação na ata do FOMC

Guerra puxa preços de energia nos EUA

O grupo de energia registrou elevação de 3,9% no mês e de 23,5% no acumulado de doze meses. O economista Vitor Kayo, da Nomad, relata que este componente representou mais de 60% da variação mensal do índice, tracionado pela gasolina, que subiu 7% em maio.

Na avaliação da equipe econômica do Bradesco, isso é um sinal de que a acomodação após o choque do Oriente Médio ainda não se completou. E, para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, os preços de petróleo e não devem ceder tão cedo. “O bloqueio do Estreito de Ormuz e os danos às instalações energéticas na região tendem a manter os preços de energia pressionados”, afirma Moreno.

O diretor de investimentos do EFG Group, Luis Ferreira, acrescenta que o combustível apresentou variação de 58,9% em doze meses, e a eletricidade teve alta de 5,9% no mesmo período.

Apesar das altas, o economista André Valério, do Inter, afirma que não há indicativos de contaminação da inflação pelo choque do petróleo nos demais setores da economia até o momento.

Desaceleração dos núcleos

Excluindo os grupos de alimentação e energia, o núcleo da inflação registrou variação de 0,21% em relação ao mês anterior, índice abaixo da expectativa de mercado. A economista Isadora Junqueira, da AZ Quest, indica que o núcleo de bens marcou variação de -0,11%, apontando a dissipação de efeitos de tarifas aplicadas no ano anterior.

A equipe econômica do Bradesco classifica o recuo do núcleo como de “composição relativamente frágil”, resultante da deflação em bens, incluindo veículos e produtos médicos, e da queda no seguro de veículos.

O núcleo de serviços, no entanto, mantém aceleração de preços. A economista Andressa Durão, do ASA, afirma que a inflação de serviços se mantém disseminada e que os aluguéis desaceleraram menos do que o consenso projetava.

Os economistas Mario Mesquita, Bernardo Dutra e Pedro Henrique Werneck, do Itaú, ressaltam que o índice de serviços registrou recuo por conta do item habitação, mas alertam que a estimativa do índice PCE de 0,28% mantém a autoridade monetária atenta à resistência na desaceleração do núcleo de preços.

Risco de alta de juros nos EUA

A leitura de inflação afeta as projeções para a política monetária dos Estados Unidos. Kayo pontua que a autoridade enfrenta choques de preços simultâneos, mencionando as tarifas, os custos de energia e os investimentos em inteligência artificial.

O economista avalia que Kevin Warsh, que assume a liderança do Comitê de Política Monetária dos EUA na próxima semana, deve manter o tom de cautela e ter pouco espaço para sinalizar cortes no horizonte próximo.

Para Moreno, do C6, não há espaço para cortes de juros nos EUA neste ano, e que existe a possibilidade de o Fed voltar a subir os juros. No C6, a projeção é de manutenção da taxa no intervalo de 3,5% a 3,75% até o fim de 2026.

Valério avalia que, com os dados disponíveis até agora, será difícil encontrar justificativa para retomar os cortes de juros frente a um mercado de trabalho em reaceleração e expectativas de inflação futura desancoradas.

Ferreira projeta manutenção do juro em 3,75% na reunião do dia 17 e sinaliza a probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual em dezembro. Este cenário de manutenção de juros nos Estados Unidos impacta os mercados emergentes, destaca Ferreira, com reflexos na saída de capital da Bolsa e na variação da taxa de câmbio no Brasil.

Durão, do ASA, projeta taxa de juros parada ao longo do ano, com riscos cada vez mais “inclinados para cima”.

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