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Emirados se somam a sauditas e Catar ao pedir que Trump não recomece a guerra

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Emirados se somam a sauditas e Catar ao pedir que Trump não recomece a guerra

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) intensificaram, nos últimos dias, os esforços para encerrar a guerra com o Irã, somando-se à Arábia Saudita e ao Catar nos apelos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que dê uma chance às negociações, segundo várias pessoas a par do assunto.

As conversas foram motivadas pelo temor desses países de que qualquer retaliação de Teerã, caso as hostilidades sejam retomadas, mergulhe as economias do Golfo em caos, disseram as fontes. Em ligações separadas com Trump, líderes dos três aliados dos EUA afirmaram que uma ação militar não alcançará os objetivos de longo prazo de Washington em relação ao Irã, segundo essas pessoas, que pediram anonimato por se tratar de tema sensível.

A Casa Branca não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

A posição de Abu Dhabi indica uma mudança de postura em um país que foi alvo direto de ataques iranianos e, até recentemente, adotava uma linha mais dura que a de seus vizinhos em relação a Teerã.

Segundo as fontes, EAU, Arábia Saudita e Catar divergem quanto ao tipo de acordo diplomático que os EUA deveriam buscar e sobre o quão rígida deve ser a postura frente ao Irã. Ainda assim, a aproximação com Trump evidencia a preocupação comum de evitar a repetição do cenário observado entre o fim de fevereiro — quando Israel e os EUA iniciaram a guerra contra a República Islâmica — e o cessar-fogo no começo de abril.

Naquele período, o Irã e grupos militantes apoiados por Teerã no Iraque retaliaram disparando milhares de drones e mísseis pelo Golfo, matando dezenas de pessoas e causando bilhões de dólares em danos a portos e à infraestrutura de energia.

“Os estados árabes do Golfo viram seus piores temores se concretizarem”, disse Dina Esfandiary, analista da Bloomberg Economics. “Eles ficaram presos no meio de uma guerra entre EUA e Irã e sofreram boa parte das consequências. Agora encaram a perspectiva de um novo confronto se o cessar-fogo não for convertido em um acordo permanente, com sua imagem de refúgios estáveis na região em risco.”

Os EAU ficaram frustrados quando a Arábia Saudita e outros países do Golfo se recusaram a responder coletivamente com força contra o Irã para deter seus ataques, conforme já reportado pela Bloomberg News. Pessoas a par do assunto disseram que Abu Dhabi realizou ataques limitados ao Irã em coordenação com EUA e Israel, enquanto a Arábia Saudita tomou medidas semelhantes separadamente.

Irã e EUA acertaram uma trégua em 8 de abril e vêm trocando mensagens por meio do Paquistão sobre um possível acordo de paz. Ambos dizem estar prontos para retomar as hostilidades e mostram poucos sinais de disposição em fazer concessões.

Ainda assim, o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, afirmou na sexta‑feira que houve “algum progresso” nas negociações, e a mídia iraniana fez comentários na mesma linha. O comandante do Exército do Paquistão, Asim Munir, estava em viagem ao Irã no mesmo dia, num possível sinal de que as partes estão mais próximas de um entendimento.

A irritação dos EAU com outros países árabes culminou na decisão surpreendente, no fim de abril, de deixar a Opep, o cartel de petróleo liderado pela Arábia Saudita. Desde então, no entanto, as relações com os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) melhoraram. O CCG é formado por seis membros: EAU, Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã.

“Os Emirados Árabes Unidos continuam em estreita coordenação e consulta com os estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo, ao lado de parceiros regionais e internacionais”, disse o Ministério das Relações Exteriores dos EAU em comunicado enviado à Bloomberg na quinta‑feira.

Muito poder de fogo

Na mesma data, todos os membros do CCG, exceto Omã, enviaram uma carta a um órgão global de supervisão marítima rejeitando as tentativas do Irã de controlar de forma permanente o tráfego pelo Estreito de Ormuz. Teerã, na prática, fechou a passagem no início da guerra, estrangulando boa parte das exportações de petróleo e gás natural dos países do Golfo.

O Irã e seus aliados ainda têm bastante poder de fogo, embora as Forças Armadas iranianas tenham sido duramente atingidas e vários líderes importantes tenham sido assassinados durante a guerra. A ameaça aos países do Golfo ficou clara mais recentemente, no domingo, com um ataque de drone a uma usina nuclear dos EAU, que Abu Dhabi atribuiu a milícias iraquianas apoiadas pelo Irã.

Um dia depois, Trump afirmou ter conversado com o príncipe-herdeiro saudita Mohammed bin Salman, com o presidente dos EAU, xeque Mohamed bin Zayed, e com o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad, e disse que eles o convenceram a não atacar o Irã.

Alguns líderes do Golfo não têm certeza de que seus apelos serão levados em conta e temem que Israel convença Trump a atacar novamente o Irã, disse uma das fontes.

O Estado judeu, que aprofundou laços de defesa e segurança com os EAU desde o início da guerra, vê a República Islâmica como ameaça existencial. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já indicou que mais ataques são necessários para degradar ainda mais a capacidade militar iraniana.

Há “50% de chance de chegarmos a um acordo” com o Irã, disse Anwar Gargash, conselheiro sênior do presidente dos EAU, na sexta‑feira. “O que me preocupa é que os iranianos sempre negociaram em excesso. Espero que não façam isso desta vez, porque a região precisa de uma solução política. Uma segunda rodada de confronto militar só vai complicar as coisas.”

Numa sinuca

Trump está numa sinuca. Embora tenha estabelecido como objetivo destruir o programa de mísseis balísticos do Irã e até sugerido mudança de regime, a guerra já custou dezenas de bilhões de dólares aos EUA. Com os preços de energia em alta devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, o conflito se torna cada vez mais impopular entre os americanos.

O presidente oscila entre ameaçar grandes ataques aéreos ao Irã e dizer que os países estão próximos de um acordo de paz.

Segundo algumas das fontes, a Arábia Saudita apoia a mediação via Paquistão e acredita que limitar os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã só será possível por meio de negociações.

O reino, assim como os EAU, entende que, por ora, os EUA deveriam concentrar esforços em convencer o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz e manter o bloqueio naval aos portos iranianos para pressionar Teerã nesse sentido, disseram.

O Catar continua apoiando os esforços de mediação liderados pelo Paquistão, afirmou um diplomata do país. Doha tem defendido de forma consistente a redução de tensões em nome da estabilidade regional, disse ele.

Em seu comunicado à Bloomberg, o Ministério das Relações Exteriores dos EAU reiterou que qualquer acordo precisa tratar “toda a gama de ameaças” representadas pelo Irã. Isso inclui as capacidades nucleares, os mísseis balísticos, os drones e “proxies afiliados e grupos terroristas”, afirmou.

Um representante do Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita remeteu a um comunicado do chanceler Faisal Bin Farhan divulgado na quarta‑feira. O príncipe disse que o reino “valoriza muito” a decisão de Trump de “dar uma chance à diplomacia para se chegar a um acordo aceitável que ponha fim à guerra”.

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