A Stellantis anunciou um plano de investimentos robusto focado em quatro marcas principais, em uma ampla reestruturação voltada a aumentar a rentabilidade.
O grupo automotivo vai investir cerca de € 60 bilhões até 2030 para lançar 60 novos modelos, priorizando as marcas Jeep, Ram, Peugeot e Fiat. Na América do Norte, a companhia planeja adicionar uma nova picape compacta, uma picape média e um modelo de entrada para a marca Dodge, na tentativa de recuperar vendas após anos de queda.
A Chrysler, que hoje vende apenas uma minivan, receberá três novos modelos de crossover na faixa de US$ 25 mil a US$ 35 mil. A Stellantis também mira crescimento de 25% da receita na América do Norte.
“Podemos crescer simplesmente marcando presença em mais segmentos”, disse Tim Kuniskis, chefe de marcas para as Américas, a investidores nesta quinta‑feira (21). “Isso é fundamental, porque a indústria não vai ajudar: a expectativa é de estagnação até 2030.”
Com novas metas de aumento de receita e de corte de custos, a Stellantis pretende elevar o retorno na América do Norte para até 10% até 2030, e para até 5% na Europa.
As metas de rentabilidade são comparadas a uma margem operacional de 2,5% no primeiro trimestre, que frustrou investidores mesmo contando ganhos financeiros pontuais. O grupo, dono de 14 marcas, tenta virar a página após um período tumultuado em que perdeu cerca de dois terços de seu valor de mercado em dois anos.

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Ainda assim, as ações da Stellantis caíram 5,7% em Milão, depois de recuarem até 7,4% mais cedo, sinal de que o mercado esperava medidas mais agressivas para enxugar o portfólio.
Embora a empresa tenha metas ambiciosas para o mercado norte-americano, o plano “não vai longe o suficiente para enfrentar ventos contrários relevantes do setor e a competição intensa dos chineses, especialmente na Europa”, escreveram os analistas da Bloomberg Intelligence Michael Dean e Giacomo Reghelin.
A estratégia apresentada na reunião com investidores nos EUA vem após uma série de reveses que levaram a acordos inéditos com concorrentes, inclusive da China.
Segundo a Stellantis, os investimentos vão sustentar a chegada de novos modelos e um esforço para unificar plataformas de veículos e, assim, reduzir custos. Cerca de 70% do capex será direcionado às divisões Jeep, Ram, Peugeot e Fiat. Outras marcas, como Dodge e Citroën, terão abordagens mais regionais, mas se beneficiarão dos gastos do grupo em novas plataformas, motores e tecnologias.
No total, a companhia mira € 6 bilhões em economia anual até 2028, em comparação com o nível do ano passado. Um ponto central será reduzir o excesso de capacidade na Europa, onde montadoras chinesas lideradas pela BYD vêm ganhando espaço em um mercado que ainda não retomou os volumes pré‑pandemia. Stellantis e Volkswagen estão entre as mais afetadas pela ociosidade na região.
A empresa pretende reduzir em 800 mil unidades sua capacidade europeia, em parte ao adaptar fábricas para outras funções, como a planta de Poissy, na França. Também planeja compartilhar produção com dois parceiros chineses.
Dongfeng e Leapmotor terão acesso a fábricas na Espanha e na França, em um momento em que a União Europeia discute medidas protecionistas adicionais às tarifas sobre veículos elétricos chineses. A Leapmotor, que mantém uma joint venture com a Stellantis, também fornecerá tecnologia de veículos elétricos. Os passos marcam, até agora, o nível mais profundo de cooperação com montadoras chinesas na Europa.
A Stellantis detalhou ainda que fará parceria com a indiana Tata na Ásia-Pacífico, África, América do Sul e Oriente Médio em produção e produtos. Na quarta‑feira, a empresa disse que estuda desenvolver veículos nos EUA em conjunto com a Jaguar Land Rover, marca de luxo britânica controlada pela Tata.
Para a Maserati, marca de luxo que enfrenta dificuldades, a Stellantis planeja adicionar dois novos modelos eletrificados. Um plano detalhado para a marca deficitária será apresentado em Módena, na Itália, em dezembro.
O grande número de marcas da Stellantis já era motivo de preocupação desde a fusão, em 2021, entre Fiat Chrysler e PSA, da França. À época, executivos apostavam que ganhar escala e reforçar recursos para a transição aos veículos elétricos ajudaria a rivalizar com os retornos de Volkswagen e Toyota.
A estratégia funcionou por um tempo. Sob comando do então CEO Carlos Tavares, a Stellantis chegou a registrar margens de dois dígitos. Mas o corte de custos agressivo somado a aumentos de preço acabou afetando a qualidade dos produtos e resultou em carros aquém da concorrência. A Jeep acumulou seis anos de queda de vendas nos EUA, apesar de seguir desejada por fãs de off-road.
A recuperação sustentável depende de revigorar as marcas Jeep e Ram. No ano passado, a Stellantis prometeu investir US$ 13 bilhões na América do Norte para renovar o portfólio, trazendo de volta, por exemplo, o motor Hemi V‑8, bastante popular.
Os sinais, porém, ainda são mistos. As vendas da Ram subiram cerca de 20% no primeiro trimestre, impulsionadas pelo retorno do Hemi, mas as entregas da Jeep cresceram apenas 3%, mesmo após o novo desenho do Grand Cherokee, uma versão mais acessível do Grand Wagoneer e o relançamento do Cherokee compacto, agora híbrido, após três anos fora de linha.
Virar o jogo acontece em um ambiente desafiador, que também atinge rivais. Juros altos e gasolina cara seguram compradores, enquanto tarifas comprimem margens. O CEO Antonio Filosa tem sido obrigado a reforçar, junto a investidores, que a melhora na América do Norte deve continuar, depois que margens abaixo do esperado derrubaram as ações no mês passado.
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