A SpaceX vive uma semana decisiva. A empresa de Elon Musk divulgou documentos relacionados à sua oferta pública inicial de ações, conhecida pela sigla IPO, e se prepara para mais um teste do Starship, o maior sistema de lançamento já desenvolvido pela companhia.
A depender do sucesso da operação, a avaliação da empresa pode chegar a US$ 2 trilhões ou mais — o equivalente a, pelo menos, R$ 10 trilhões — o que pode fazer de magnata sul-africano o primeiro trilionário do mundo.
Mas o que é IPO?
IPO é a sigla em inglês para Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial, nome dado ao processo pelo qual uma empresa vende ações ao público pela primeira vez.
Na prática, é o momento em que uma companhia abre capital e passa a permitir que investidores comprem pequenas fatias do negócio na Bolsa de Valores.
Para isso, a empresa não pode simplesmente ofertar seus papéis ao mercado. O processo começa com o registro de companhia aberta no órgão regulador do mercado de valores — no Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Além disso, a companhia precisa de autorização para vender ações e para ser listada em Bolsa. Após essa etapa, recebe um código pelo qual seus papéis passam a ser negociados. As ações da Ambev, por exemplo, são identificadas pelo código ABEV3.
A empresa também deve elaborar um prospecto da oferta, documento voltado ao público investidor. Nele, são apresentados os planos da companhia, a situação do mercado, os riscos do negócio, dados financeiros e informações sobre a administração.
A oferta pode ser primária ou secundária. Na primária, a companhia emite novas ações para vendê-las ao público, ampliando sua base de acionistas. Nesse caso, o dinheiro arrecadado vai para o caixa da própria empresa. Na secundária, são colocadas à venda ações já existentes, geralmente pertencentes a sócios que decidiram reduzir sua participação. Nesse formato, os recursos vão para os acionistas vendedores, e não para a companhia.
Ao fazer um IPO, a empresa amplia seu quadro de sócios, já que quem compra ações passa a deter uma pequena parte do negócio. Entre os principais motivos para abrir capital está a possibilidade de captar recursos sem recorrer a empréstimos ou contrair novas dívidas.
E o que vai acontecer com a SpaceX?
No caso da SpaceX, a expectativa é levantar dezenas de bilhões de dólares em junho, em uma operação que pode avaliar a companhia em US$ 2 trilhões ou mais. Os recursos ajudariam a impulsionar as ambições da empresa em inteligência artificial e a financiar o desenvolvimento do Starship.
O lançamento do foguete é considerado ainda mais importante do que a própria divulgação dos documentos do IPO. A janela para o 12º voo de teste do Starship abre às 18h30, no horário da costa leste dos Estados Unidos. A transmissão poderá ser acompanhada pelo site da SpaceX e pela plataforma X.
O teste marca a estreia da versão mais recente do sistema de lançamento, que tem cerca de 124 metros de altura quando o propulsor e o estágio superior estão empilhados. O booster conta com 33 motores e produz mais de 8 mil toneladas de empuxo.
A etapa inferior deve pousar em uma embarcação não tripulada na costa do Texas. Já o estágio superior terá uma série de objetivos de teste, incluindo a simulação de implantação de carga e o desenvolvimento do escudo térmico.
A importância do Starship está ligada à promessa de reduzir drasticamente o custo de acesso à órbita. O sistema foi projetado para cortar esse custo em 90% ou mais. O foguete Falcon 9, também da SpaceX, já havia reduzido em 95% o custo de chegar ao espaço em comparação com os ônibus espaciais.
A diferença é que o Starship foi pensado para ser totalmente reutilizável, com reaproveitamento tanto do estágio inferior quanto do superior. A SpaceX foi pioneira em foguetes reutilizáveis, mas, no Falcon 9, apenas o primeiro estágio é reaproveitado.
A reutilização do estágio superior permitiria novas aplicações, como o reabastecimento de espaçonaves em órbita, recurso considerado essencial para aumentar o alcance de missões espaciais, inclusive em direção a Marte.
A redução de custos também abriria espaço para projetos como centros de dados de inteligência artificial em órbita. Elon Musk acredita que a computação orbital poderá se tornar competitiva em relação à realizada na Terra dentro de alguns anos. Embora operar no espaço seja complexo, a vantagem seria não depender de contas de energia pagas a concessionárias.
Os testes do Starship costumam atrair centenas de milhares de espectadores pela internet. Com a aproximação do IPO da SpaceX, a expectativa é que o interesse seja ainda maior.
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