A Votorantim Cimentos divulgou, nesta quarta-feira (13), um crescimento nominal de 12% na receita líquida no primeiro trimestre de 2026 em comparação a 2025, para R$ 6,28 bilhões. Do lado do resultado, a empresa anotou prejuízo de R$ 154 milhões, uma melhora de 53% ante o mesmo período do último ano.
Os resultados ainda não são influenciados pela inflação de custos, que deve se materializar apenas no segundo e no terceiro trimestre. Com uma estratégia de diversificação geográfica, a companhia avalia estar protegida das recentes variações cambiais que baratearam o dólar frente ao real.
“Nossa diversificação traz um equilíbrio super saudável de moedas. A dívida e a geração de caixa estão bem casados por moeda, seja em reais, dólares ou euros. Portanto, ao longo de 12 meses, uma desvalorização ou apreciação cambial tem um efeito imaterial no nosso balanço”, afirma o CEO global da Votorantim Cimentos, Osvaldo Ayres Filho, em entrevista ao InfoMoney. Desde o início do ano, o dólar caiu 10,7% frente ao real.
Hoje, cerca de 40% dos resultados da Votorantim Cimentos vem do mercado brasileiro. Outros 35% são do mercado da América do Norte e o restante dividido entre Europa, Ásia, África e América Latina (excluindo o Brasil). Desconsiderando os efeitos da variação cambial, a receita líquida da Votorantim Cimentos foi de R$ 6,3 bilhões, avanço de 15% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.
- Leia também: Joint venture entre Votorantim, Gerdau e Tigre aposta em WhatsApp para vendas B2B
- Leia também: Inflação da construção acelera para 0,72% em abril e chega a 7,01% em 12 meses
Influenciado por questões climáticas e pela temporada de manutenções industriais, o primeiro trimestre do ano costuma ser o mais fraco da Votorantim, representando aproximadamente 10% dos resultados anuais. Para se ter ideia, a companhia fechou 2025 com um lucro líquido de R$ 3,179 bilhões após um prejuízo de R$ 325 milhões no ano.
A empresa avalia que a redução do prejuízo do primeiro trimestre em comparação ao ano anterior vem, em grande medida, da melhoria no desempenho operacional. No período, o EBITDA ajustado da companhia saltou de R$ 598 milhões para R$ 762 milhões.
“Essa melhoria vem do aumento de receita e também do início da materialização dos investimentos que nós estamos fazendo em competitividade estrutural”, afirma Filho. “Para nós, competitividade estrutural se traduz em redução de custos.”
Ciclo de investimentos
A Votarantim Cimentos está neste momento em um ciclo de investimentos de R$ 5 bilhões entre 2024 e 2028, dos quais R$ 2,8 bilhões já estão em andamento. Entre as medidas estão um contrato de aquisição de energia com a Auren, além da implementação de uma fábrica de argamassas em Edealina (GO), operação que terá capacidade de produção anual de 300 mil toneladas de argamassa.
Outra parte dos recursos vai ainda para a modernização do forno de cimento da fábrica de Xambioá (TO), religar moinhos paralisados em Esteio (RS) e Laranjeiras (SE), bem como otimizar a operação logística da região Sul.
Inflação de custos
A Votorantim Cimentos afirma ainda não ter sido impactada, no primeiro momento, pelo aumento do preço do petróleo globalmente, o que tem levado a uma inflação de custo nas cadeias, com repercussão em custos logísticos, de energia e nas matérias-primas.
“Na parte de custos, ainda não vimos a materialização integral da inflação, porque estamos consumido estoques mais antigos ainda não impactados”, diz Filho. “Vemos isso acontecendo no segundo e terceiro trimestre.”
De um lado, a empresa tenta aproveitar o atual ciclo de investimentos para reduzir custos para mitigar parte da inflação; do outro, pode ter que fazer repasses caso haja impacto na margem de lucro.
The post Votorantim Cimentos aumenta receita em 12% e corta prejuízo pela metade appeared first on InfoMoney.

