O bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido nacionalmente como Carlinhos Cachoeira, foi preso nesta quarta-feira (13) pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, na zona Sul de São Paulo.
Segundo apurado pela CNN Brasil, Cachoeira tinha um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça de Goiás e foi encaminhado ao 27º Distrito Policial, no Campo Belo.
Operação Monte Carlo
Carlinhos Cachoeira ganhou projeção nacional em 2012, quando foi apontado pelas investigações como líder de uma organização criminosa alvo da Operação Monte Carlo, do Ministério Público de Goiás.
Deflagrada em fevereiro daquele ano, a operação foi conduzida para investigar um grupo suspeito de atuar de forma estruturada e hierarquizada na exploração e cartelização de jogos de azar, principalmente máquinas caça-níqueis e bingos, além de crimes contra a administração pública.
Segundo o Ministério Público, a organização também recrutava agentes públicos para fornecer informações e garantir proteção aos estabelecimentos ligados ao esquema.
De acordo com as investigações, policiais militares, civis e federais teriam sido cooptados para repassar dados sobre operações e interesses da organização, apontada como sendo liderada por Cachoeira.
Condenação
Ainda em 2012, após trabalho conjunto com a Polícia Federal, procuradores ofereceram denúncia contra 80 pessoas investigadas por participação no esquema.
No fim daquele ano, a Justiça Federal condenou Carlos Augusto de Almeida Ramos e outros sete réus a mais de 39 anos de prisão por diferentes práticas criminosas. Segundo o Ministério Público Federal, além de corrupção ativa, o grupo também atuava em fraudes a licitações públicas, exploração de máquinas caça-níqueis e outros jogos de azar.
Novas ações em 2014
Em 2014, o Ministério Público de Goiás propôs novas ações de improbidade administrativa contra integrantes de núcleos ligados ao esquema.
Segundo o órgão, as ações envolviam grupos que atuavam principalmente em Goiás e no Entorno do Distrito Federal para instalar e manter a atividade de exploração e cartelização de jogos de azar.
À época, mais de 70 pessoas já haviam sido acionadas judicialmente, incluindo Cachoeira e auxiliares apontados como integrantes diretos da organização.
Prisão em 2016
Em 2016, Cachoeira voltou a ser preso durante outra operação da Polícia Federal, desta vez relacionada a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo obras públicas.
As investigações apontaram que mais de R$ 370 milhões teriam sido lavados por meio de pagamentos irregulares a 18 empresas de fachada, e Cachoeira era investigado por suspeita de participar da criação dessas companhias.
Segundo os investigadores, os valores movimentados aumentavam em anos eleitorais. Em um dos casos analisados, uma transferência de R$ 80 milhões teria sido feita para uma obra considerada inexistente, em 2008, ano de eleições municipais.

