A partir desta semana, os investidores passaram a poder utilizar cotas de fundos imobiliários como garantia em operações que exigem margem dentro da B3. A mudança amplia o uso dos FIIs na infraestrutura do mercado financeiro e aproxima estratégias de longo prazo a operações táticas de curto prazo, como trades e hedges.
Na prática, a novidade permite que investidores utilizem ativos já presentes em carteira — como fundos imobiliários, ETFs e ações — como colateral em operações de proteção, hedge ou trades, sem necessidade de manter exclusivamente dinheiro em caixa para cobrir exigências de margem.
Para o público trader, a novidade tem impacto direto na eficiência do uso de capital. Em vez de manter apenas dinheiro imobilizado para cobrir chamadas de margem, o investidor pode utilizar ativos elegíveis já presentes na carteira.
Segundo a B3, a medida busca oferecer maior flexibilidade para investidores que operam simultaneamente posições estruturais de longo prazo e estratégias mais táticas.
“Quando o investidor consegue usar ativos da própria carteira como garantia, ele passa a administrar melhor a relação entre liquidez, risco e oportunidade. A garantia deixa de ser apenas uma exigência operacional e passa a fazer parte da arquitetura da estratégia”, afirma Marcelo Carvalho, diretor de Administração de Riscos da B3, ao InfoMoney.
Para o executivo, o avanço vai além da simples inclusão de novos ativos elegíveis. “O avanço não está apenas em adicionar mais ativos a uma lista. Está em permitir que diferentes perfis de investidores tenham mais instrumentos para escolher suas garantias de forma compatível com suas estratégias. Isso significa mais eficiência para quem carrega posições na B3”, acrescenta Carvalho.
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FIIs entram em movimento mais amplo de ampliação de garantias
A inclusão dos fundos imobiliários ocorre dentro de uma agenda mais ampla da bolsa brasileira para expandir o número de ativos aceitos como garantia em operações de mercado. Recentemente, a B3 também passou a aceitar ETFs de prata e BDRs ligados a ETFs de metais preciosos como colateral.
Com isso, o número de categorias elegíveis chega a 21 tipos de ativos, incluindo títulos públicos, ações, ETFs, debêntures, BDRs e instrumentos de renda fixa e variável.
Segundo dados da própria B3, o volume total depositado em garantias alcançava aproximadamente R$ 725,4 bilhões até o último dia 8 de maio. A maior parte desse montante está concentrada em títulos públicos federais atrelados à Selic, que representam mais de 82% do total.
Carvalho afirma que a mudança acompanha uma transformação no perfil do investidor brasileiro. “O investidor sofisticado olha para a carteira de forma integrada. Ele não separa, de maneira estanque, o que é posição de longo prazo, o que é proteção e o que é operação tática”, explica.
Apesar da ampliação da flexibilidade operacional, a B3 reforça que o uso de ativos como garantia exige atenção à gestão de risco.
“Quanto maior a flexibilidade, maior a importância de entender como funcionam as chamadas de margem, o papel da liquidez dos ativos e o risco de correlação entre o colateral e a posição garantida”, conclui o diretor.
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