SÃO PAULO, 12 Mai (Reuters) – O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, perdendo o patamar dos 180 mil pontos na mínima do dia, em sessão marcada por noticiário corporativo intenso e dados de inflação no Brasil e nos EUA, além de nova alta do preço do petróleo no mercado internacional.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,80%, a 180.342,33 pontos, após marcar 179.938,70 pontos no pior momento. Na máxima, marcou 181.896,57 pontos. O volume financeiro somou R$29,11 bilhões.
O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 3,42%, a US$107,77, diante do enfraquecimento nas expectativas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã, que permita a reabertura do Estreito de Ormuz, relevante rota da commodity.
O avanço nas cotações da commodity desde o começo do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, tem preocupado investidores por causa do efeito na inflação e seus reflexos em políticas de bancos centrais no mundo.
Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, há um medo de uma possível persistência da inflação no globo como um todo e como os BCs irão reagir a tal cenário.
Nesta terça-feira, dados mostraram que o índice de preços ao consumidor nos EUA acelerou em abril, com a leitura em 12 meses registrando a maior alta em quase três anos, diante do avanço nos preços de combustíveis.
Wall Street fechou com o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, em queda de 0,16%.
No Brasil, o IPCA em 12 meses mostrou alta de 4,39%, de 4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
“Com os preços de petróleo elevados e na ausência de uma resolução do conflito no Oriente Médio, prevemos um período de inflação pressionada nos próximos meses”, afirmaram economistas do Bradesco ao comentar o IPCA.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN (PETR4) caiu 1,62%, após a estatal reportar uma queda de 7,2% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, resultado que ainda não refletiu a recente disparada dos preços globais do petróleo. O lucro de R$32,7 bilhões entre janeiro e março ficou abaixo das estimativas de analistas consultados pela LSEG, que apontavam R$34,4 bilhões. A empresa também anunciou a aprovação de pagamento de remuneração aos acionistas de R$9 bilhões. A presidente-executiva da estatal disse que a Petrobras avalia realizar um aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras “já, já”, mas busca ter certeza de que irá defender participação de mercado, considerando a concorrência com o etanol.
- BRASKEM PNA (BRKM5) disparou 29,02% após analistas do JPMorgan elevarem a recomendação das ações para “overweight”, bem como o preço-alvo de R$10,50 para R$15, citando melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais apertada e fortalecimento da governança após a reestruturação. Profissionais do mercado citaram forte movimento de “short squeeze”, que ajudou a ampliar a alta. Declarações da CEO da Petrobras com potenciais reflexos na Braskem também repercutiram no pregão.
- HAPVIDA ON (HAPV3) fechou em alta de 9,27%, após disparar 15,6% na máxima do pregão, um dia depois de a operadora de planos de saúde e odontológicos divulgar Ebitda ajustado de R$803 milhões, queda de 20% na base anual, mas acima das previsões. Analistas do Safra destacaram que a sinistralidade caixa de 72,2% veio melhor do que o esperado, ajudando o resultado. O presidente-executivo afirmou que a companhia poderá vender operações e fechar unidades como parte do plano de simplificação e redução de dívida.
- DIRECIONAL ON (DIRR3) avançou 3,5%, tendo como pano de fundo alta de 30% no lucro líquido do primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$213 milhões. A companhia também reportou consumo de caixa contábil de R$76 milhões, acima dos R$14,9 milhões de um ano antes. Segundo o presidente-executivo, um cenário de custos mais elevados pode pressionar rivais menos preparados.
- NATURA (NATU3) caiu 5,62%, após divulgar prejuízo líquido de R$445 milhões no primeiro trimestre, acima do resultado negativo de R$152 milhões registrado um ano antes. Em teleconferência, o presidente-executivo manteve a expectativa de recuperação gradual da receita, mas alertou que a migração do sistema de gestão em junho pode causar “turbulência” nas operações.
- AZZAS 2154 ON (AZZA3) recuou 3,29%, em meio a uma disputa judicial interna. A companhia afirmou ter sido surpreendida por pedido judicial de um acionista referente à gestão da unidade de moda masculina e disse que adotará as medidas cabíveis. Segundo fontes, a ação visa proteger valor para os acionistas diante de possíveis desintegrações de marcas.
- MRV&CO ON (MRVE3) perdeu 1,71%, com o balanço do primeiro trimestre também no radar. A companhia apurou prejuízo líquido ajustado de R$14 milhões, enquanto a MRV Incorporação teve lucro líquido ajustado de R$133 milhões, com margem bruta de 31%. A Resia, subsidiária nos Estados Unidos, teve prejuízo de US$15,8 milhões.
- VALE ON (VALE3) cedeu 0,24%, acompanhando a queda dos futuros do minério de ferro na China. A mineradora também estimou incremento de cerca de US$1,5 bilhão no fluxo de caixa livre em 2026 para o segmento de soluções de minério de ferro, considerando as novas condições de mercado decorrentes do conflito no Oriente Médio.
- Entre os bancos, ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) caiu 1,14%, BRADESCO PN (BBDC4) recuou 0,72%, SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) perdeu 0,65% e BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) caiu 1,02%, na véspera da divulgação de seu balanço.
- GRUPO TOKY ON (TOKY3), fora do Ibovespa, despencou 41,38% após a holding que controla Tok&Stok e Mobly entrar com pedido de recuperação judicial, citando dívida superior a R$1 bilhão.
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