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Mais de 636 mil MEIs podem ter dívidas perdoadas na Bahia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Mais de 636 mil MEIs podem ter dívidas perdoadas na Bahia

Mais de 636 mil microempreendedores individuais (MEIs) baianos poderão ser beneficiados por um conjunto de medidas do governo federal que perdoa dívidas, eleva o limite de faturamento e amplia as chances de contratação de pequenos negócios pelo poder público. As ações integram o programa Prospera MEI, anunciado na semana passada.



					Mais de 636 mil MEIs podem ter dívidas perdoadas na Bahia
Mais de 636 mil MEIs da Bahia podem ser beneficiados por perdão de dívidas e aumento do limite de faturamento. Foto: Reprodução/EPTV

O cenário na Bahia ajuda a explicar a urgência do pacote. Segundo a pesquisa Perfil do MEI, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), quase 44% dos microempreendedores do estado já deixaram de pagar ao menos um boleto mensal do MEI. Mesmo com as dificuldades financeiras, 62% dos entrevistados baianos disseram ter interesse em vender produtos ou serviços para o governo.

O pacote combina mudanças nas regras do Simples Nacional com iniciativas para facilitar o acesso ao crédito, reduzir a burocracia e estimular o crescimento dos pequenos negócios.

O que muda para os microempreendedores

O projeto de lei complementar nº 186/2026, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira (21), altera as regras do Simples Nacional e traz mudanças diretas para os MEIs. Veja as principais:

Perdão de dívidas: remissão de débitos tributários federais de titularidade da União que atendam aos critérios previstos na lei.

Faturamento maior: o limite anual sobe de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028.

Mais funcionários: o MEI poderá ter até dois empregados, e não mais apenas um.

Licitações públicas: o limite das contratações exclusivas para micro e pequenas empresas passa de R$ 80 mil para R$ 130.984,20.

Contrata+Brasil: o teto por serviço contratado de MEIs sobe de R$ 13.098,41 para R$ 32.746,06.

Perdão das dívidas começa em 2027

Uma das medidas centrais é a remissão integral de débitos tributários federais de titularidade da União, inscritos ou não na Dívida Ativa da União até 13 de outubro deste ano.

O benefício abrange contribuições previdenciárias em atraso, multas, juros e encargos de cobrança. Valem também dívidas cobradas na Justiça ou incluídas em parcelamentos.

A previsão é que a medida entre em vigor em 1º de janeiro de 2027. De acordo com as regras divulgadas, o perdão será automático, sem necessidade de requerimento à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Para manter o benefício, no entanto, o empreendedor precisará pagar em dia as guias mensais do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei.

A remissão alcança ainda os saldos de parcelamentos em andamento, mas não prevê a devolução de valores já pagos. Quem move ação judicial para contestar os débitos terá de desistir do processo para obter a baixa definitiva da dívida, sem pagar honorários advocatícios pela desistência.

A estimativa é que mais de 3,6 milhões de microempreendedores sejam beneficiados em todo o país, com o perdão de mais de R$ 18,7 bilhões em débitos. O valor médio das dívidas é de cerca de R$ 3,4 mil.

Teto de faturamento chega a R$ 140 mil

O limite anual de faturamento do MEI, hoje de R$ 81 mil, passará a R$ 110 mil em 2027 e a R$ 140 mil em 2028.

O teto não era atualizado desde 2018. Com a mudança, os empreendedores poderão faturar mais sem ter de deixar imediatamente o regime simplificado, desde que sigam cumprindo as demais regras de enquadramento.

A proposta também autoriza o MEI a contratar até dois funcionários, o que amplia o potencial de geração de empregos nos pequenos negócios.

Empresas do Simples Nacional que se enquadrem nos novos limites e atendam às demais exigências também poderão retornar à categoria de MEI, conforme as regras da lei.

Pequenos negócios com mais contratos públicos

O pacote ainda busca ampliar a participação dos microempreendedores nas compras governamentais. O limite de valor das licitações exclusivas para microempresas e empresas de pequeno porte passará de R$ 80 mil para R$ 130.984,20.

Já na plataforma Contrata+Brasil, que conecta órgãos públicos a prestadores de serviços cadastrados como MEI, o limite por contratação subirá de R$ 13.098,41 para R$ 32.746,06.

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