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Terceiro envolvido no assassinato de Mãe Bernadete é condenado a 28 anos de prisão na Bahia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Terceiro envolvido no assassinato de Mãe Bernadete é condenado a 28 anos de prisão na Bahia

O terceiro acusado de participar do assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete foi condenado a 28 anos de prisão. O júri popular de Josevan Dionísio dos Santos aconteceu nesta terça-feira (13), em Salvador (BA), três anos depois do crime. A sentença determina que a pena seja cumprida inicialmente em regime fechado, segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). A defesa do réu informou ao g1 que vai recorrer da decisão.



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Acusado de envolvimento na morte de Mãe Bernadete é condenado. Foto: Reprodução/TV Globo/SSP-BA

Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023, dentro da própria casa, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Ela estava com os três netos quando dois homens de capacete invadiram o imóvel, retiraram os jovens da sala e dispararam 25 vezes contra a líder religiosa.

De acordo com o inquérito policial, o assassinato foi encomendado por um chefe do tráfico de drogas da região. Ao todo, seis suspeitos foram apontados como envolvidos, quatro deles ligados diretamente à morte. Três ainda aguardam julgamento.

Outras condenações

Em abril deste ano, Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos já tinham sido condenados. Arielson, apontado como executor, recebeu pena de 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. Marílio, apontado como mandante, foi condenado a 29 anos e 9 meses. Ele estava foragido, mas, como tinha advogado constituído, foi levado a júri. Dois dias após a sentença, morreu em uma troca de tiros com policiais militares.

O primeiro julgamento estava marcado para 24 de março, mas foi adiado a pedido da nova defesa dos réus, conforme o TJ-BA.

Papel de cada suspeito

Marílio dos Santos: apontado como chefe do tráfico na região, teria ordenado a morte de Mãe Bernadete por causa da oposição dela às ações do grupo. Morreu dois dias depois de ser condenado.



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Marílio dos Santos morreu dois dias após ser condenado. Foto: Divulgação/SSP-BA

Arielson da Conceição dos Santos: suspeito de executar o crime, estava preso preventivamente e foi condenado em abril, no mesmo julgamento de Marílio.

Josevan Dionísio dos Santos: também suspeito de participar da execução, foi preso em setembro de 2025, dois anos após o crime, depois de manter a companheira e dois filhos reféns em Simões Filho. Foi condenado nesta terça.



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Josevan Dionisio dos Santos, conhecido como "BZ" ou "Buzuim", foi condenado a 28 anos de prisão. Foto: SSP-BA

Sérgio Ferreira de Jesus: suspeito de receptar os celulares de Mãe Bernadete e de familiares, roubados no dia do crime. Ele também é apontado como instigador, após um desentendimento causado por uma bronca da ialorixá, e teria indicado aos executores a melhor rota para a ação. O júri está marcado para 21 de outubro.

Ydney Carlos dos Santos de Jesus: dono de uma barraca usada para festas e venda de drogas na região, teve uma discussão acalorada com Mãe Bernadete antes do crime. É apontado como uma das chefias do tráfico e suspeito de auxiliar no plano. Ainda não há data para o julgamento.



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Ydney Carlos será julgado. Foto: Divulgação/Polícia Civil

Carlos Conceição Santiago: suspeito de guardar as armas usadas no assassinato e de ajudar Arielson a fugir. O julgamento também não tem data definida.

Família foi indenizada



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Estado e União indenizam família de Mãe Bernadete. Foto: Janaína Galdino/Ascom PGE

Em 2025, os familiares de Mãe Bernadete entraram com uma ação indenizatória contra a União e o Governo da Bahia. O processo aponta falhas que antecederam o homicídio e problemas ocorridos depois dele.

Documento obtido pelo g1 mostra que a defesa pediu R$ 11,8 milhões por danos morais para os três netos que estavam com a vítima no dia do crime e para uma filha da líder quilombola, mãe dos jovens.

Na época do assassinato, a ialorixá estava sob proteção da Polícia Militar, por meio de programa da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH), havia pelo menos dois anos. A ação cita responsabilidades do governo federal, do governo estadual e do programa de proteção.

Em fevereiro deste ano, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que os pagamentos da indenização aos familiares foram concluídos, mas manteve o valor em sigilo. O caso foi conduzido pela PGE e resolvido por meio de acordo administrativo. Segundo Jurandy Pacífico, filho de Mãe Bernadete, a ação tem caráter protetivo, além de simbólico.

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