Depois de passar por uma ampla requalificação, o Teatro Vila Velha reabre nesta sexta-feira (25), em Salvador (BA). Inaugurado em 1964, o espaço retoma sua programação cultural com mudanças estruturais, mantendo, porém, o espírito da arquitetura original, concebida como uma obra permanentemente em progresso.
A reforma concluída em 2026 amplia os avanços de acessibilidade já implementados em intervenção anterior, criando mais conforto para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. O acesso ao teatro agora conta com uma nova passarela, que reformula a ligação com o Passeio Público, na Avenida Sete de Setembro, além de um elevador e escadarias recém-instalados.
O palco segue aberto às experimentações cênicas que sempre marcaram o Vila Velha, agora com equipamentos renovados de som, iluminação e recursos audiovisuais.
Para celebrar a reabertura, o teatro promove uma série de apresentações musicais que resgatam diferentes fases de sua trajetória. Sobem ao palco nomes como Bruno Barroso, Giovani Cidreira, Luiza Brito, Jadsa e Manuela Rodrigues, entre outros artistas, sob direção musical de João Milet Meirelles e Ronei Jorge.
O repertório reúne canções ligadas a espetáculos históricos da casa, entre elas trechos de "Nós, Por Exemplo", montagem de 1998 que reuniu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Tom Zé.
A obra foi conduzida pela Prefeitura de Salvador, por meio da Sucop, com projeto coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira e assinatura dos arquitetos Nivaldo Andrade e Mário Vitor Bastos, da A+P Arquitetos Associados. A consultoria ficou a cargo de Carl von Hauenschild, responsável pela reforma de 1994.
Ao todo, o complexo recebeu investimento de R$ 28,6 milhões, sendo R$ 14,6 milhões destinados às obras físicas e R$ 14 milhões à aquisição de equipamentos.
A revitalização também alcançou o Passeio Público, área histórica erguida em 1810. O projeto preservou o traçado urbanístico original e promoveu a restauração de monumentos, painéis, da fonte e do mirante voltado para a Baía de Todos-os-Santos, somados à instalação de recursos de acessibilidade e vagas reservadas para pessoas com deficiência.
O Teatro Vila Velha segue funcionando como um equipamento cultural em constante transformação, mantido por artistas que atuam em suas diferentes frentes, operacional, administrativa, criativa e de gestão artístico-cultural.
Como parte da nova política cultural da casa, os grupos locais passarão a contar com temporadas mais longas, medida voltada ao fortalecimento e à valorização da produção cênica baiana.
Trajetória do Vila
Antes de se instalar no Passeio Público, o Teatro Vila Velha já circulava por Salvador havia anos. Entre 1959 e 1964, o grupo passou por três sedes provisórias: um solar no bairro da Graça, um imóvel no Largo da Vitória e a Galeria Oxumaré, também localizada no Passeio Público.
Já em seu primeiro ano de atuação, o grupo realizou mais de 100 apresentações em espaços improvisados, praças, escolas, igrejas e cidades do interior baiano. Somente em 1964 o Teatro Vila Velha ganhou sede definitiva no Passeio Público, consolidando-se como o primeiro teatro independente da Bahia. É nesse endereço que atua a Companhia Teatro dos Novos, primeira companhia teatral profissional do estado.
A estreia da Companhia Teatro dos Novos (CTN) no novo espaço só aconteceu em dezembro daquele ano, com a participação da Escola de Samba Juventude do Garcia formando o coro do espetáculo.
Em 1994, uma reforma estrutural modernizou o prédio, dando origem a um espaço cênico com múltiplas possibilidades de configuração entre palco e plateia, além de salas de ensaio e do café teatro Cabaré dos Novos.
Ao longo de mais de seis décadas, o Teatro Vila Velha construiu reputação de liberdade criativa e inovação, tornando-se referência de resistência cultural e casa de grandes nomes das artes cênicas baianas.

