O governo brasileiro deve bater o martelo sobre autorizar ou não o republicano Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil somente após a reunião bilateral que acontecerá entre o ministro Mauro Vieira, de Relações Exteriores, e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
Os dois têm encontro marcado durante a reunião de chanceleres do G7, que vai acontecer nos próximos dias 9 e 10, em Paris, na França. Será a primeira reunião oficial entre Vieira e Rubio depois das eleições no Brasil que deram a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na semana passada, eles já estiveram juntos em Atlanta, nos EUA, durante reunião dos ministros de Relações Exteriores do G20, mas conversaram apenas brevemente durante coquetel oferecido no evento. Não discutiram pontos específicos da relação bilateral, de acordo com apuração da CNN, e acertaram o encontro na próxima semana.
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De acordo com a área internacional do Palácio do Planalto, entre outros pontos sobre a política externa que devem ser tratados pelo chanceler brasileiro e o norte-americano, está a definição sobre o aval diplomático ao indicado por Donald Trump para a embaixada brasileira. Ele aguarda a autorização desde junho.
A definição sobre o agrément e o possível visto diplomático concedido a Daniel Perez só será feita após essa reunião entre Vieira e Rubio.
A área internacional do Palácio do Planalto defende que o governo brasileiro use a reciprocidade com os EUA para condicionar a autorização de visto com livre trânsito ao indicado por Trump ao mesmo tratamento dado pela Casa Branca à embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Em agosto, Viotti teve revogado pelo Departamento de Estado dos EUA o visto de entradas múltiplas em território norte-americano, prerrogativa de um embaixador. Na época, Rubio alegou reciprocidade em razão de o governo brasileiro ainda não ter autorizado o novo embaixador americano no país.
Além disso pesa sobre a avaliação de conceder o aval diplomático o fato de que Donald Trump tem contestado o resultado das eleições brasileiras, em meio à fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os EUA. O etendimento no Planalto é de que não faz sentido dar a autorização ao republicano enquanto o presidente americano questionar o processo eleitoral no Brasil.
Até então, o Planalto também aguardava o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA para saber qual a estratégia da Casa Branca em relação ao Brasil.
Supensão de agréments
Lula suspendeu a concessão de agréments até o segundo turno das eleições, o que acabou paralisando a autorização para países como os Estados Unidos, a Ucrânia e a Síria.
Até antes do segundo turno, ainda sob duvidas de quem sairia o vencedor nas urnas, a equipe diplomática do Planalto estava informada de que o Itamaraty não havia identificado, até aquele momento, nenhum indicativo que impedisse o nome de Daniel Perez para exercer a função de embaixador no Brasil.
Daniel Perez
Presidente da Câmara de Representantes do estado da Flórida e alinhado a Donald Trump, Daniel Perez foi anunciado como indicado embaixador pelos EUA em junho deste ano.
A divulgação pública gerou críticas internas na diplomacia brasileira, já que o processo de análise e aceitação de agrément é sigiloso, com o nome do indicado informado inicialmente ao país que irá receber o embaixador, antes de ser anunciado.
Em agosto, a nomeação foi aprovada pelo Senado americano em um placar apertado, com 51 votos a favor e 47 contrários.
O Brasil não tem embaixador dos Estados Unidos desde janeiro de 2025. Quem representa o governo americano em território brasileiro é Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA.

