A inteligência artificial (IA) pode ser utilizada no mercado imobiliário para automatizar o atendimento ao cliente, analisar dados de mercado, identificar padrões de consumo e apoiar decisões sobre novos projetos. A tecnologia permite processar grandes volumes de informação e produzir estimativas que ajudam construtoras e incorporadoras a avaliar oportunidades e planejar suas atividades.
Entre as aplicações estão os assistentes virtuais, que respondem a dúvidas e direcionam solicitações; os modelos analíticos, que identificam tendências de procura por imóveis; e as ferramentas que cruzam informações sobre terrenos, infraestrutura e características de diferentes regiões.
Na MRV, a inteligência artificial já integra o relacionamento com os clientes por meio da MIA, assistente virtual desenvolvida para oferecer informações e facilitar o acesso a serviços em diferentes etapas da jornada de compra e do atendimento pós-venda.
Como a inteligência artificial melhora o atendimento ao cliente?
No atendimento imobiliário, a inteligência artificial pode responder a perguntas frequentes, disponibilizar informações sobre imóveis, orientar consultas e encaminhar solicitações aos setores responsáveis. Assistentes virtuais também podem facilitar o acesso a informações financeiras e contratuais, conforme as funcionalidades oferecidas por cada empresa.
Uma das principais vantagens é permitir que dúvidas recorrentes sejam resolvidas com mais rapidez, inclusive fora dos horários de atendimento humano. Quando uma solicitação exige interpretação individualizada ou análise de um caso específico, a participação de profissionais continua sendo necessária.
Como a MRV usa inteligência artificial para atender clientes?
A Mia, assistente virtual da MRV, é um exemplo de aplicação da inteligência artificial no atendimento ao cliente em diferentes etapas da jornada de compra e pós-venda.
A ferramenta oferece suporte para demandas comerciais e serviços relacionados ao imóvel, como emissão de segunda via de boletos, consulta à evolução da obra, informações financeiras e assistência técnica. São mais de 20 autosserviços, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana.
A atuação da Mia vai além do atendimento inicial. Ao permitir que o cliente consulte informações e resolva demandas por canais digitais, a assistente também apoia o relacionamento após a compra do apartamento. Em 2025, a ferramenta registrou 2,01 milhões de interações e 737,3 mil encaminhamentos, conforme o Relatório Anual de Sustentabilidade (RAS) 2025 MRV&CO.
A experiência da empresa também mostra o uso da IA no atendimento comercial. Em conteúdo publicado em 2023, a MRV informou que cerca de 50% das vendas tinham origem no atendimento com inteligência artificial e que 93% dos primeiros contatos comerciais foram concluídos sem intervenção humana.
Como a inteligência artificial pode prever a demanda por imóveis?
A inteligência artificial pode ajudar a estimar a procura por imóveis ao analisar dados históricos de vendas, preços, estoque disponível, características dos compradores e indicadores econômicos. Modelos estatísticos e técnicas de machine learning identificam padrões nessas informações e produzem estimativas sobre possíveis mudanças no comportamento do mercado.
Na prática, essas análises podem ajudar a responder a perguntas como:
- Quais faixas de preço concentram maior procura em determinada região?
- Que características dos imóveis aparecem com mais frequência entre as unidades vendidas?
- Como mudanças na renda e nas condições de financiamento podem afetar a intenção de compra?
- Em quais mercados a oferta de imóveis pode estar distante da demanda observada?
Os resultados podem apoiar decisões comerciais, o planejamento de novos projetos e a definição de características dos imóveis. Ao identificar tendências, as empresas conseguem avaliar cenários e ajustar suas estratégias com base em informações mais amplas.
Como a IA é aplicada à construção de imóveis?
Além do atendimento e da análise de dados, a inteligência artificial pode apoiar atividades operacionais da construção civil, facilitando o acesso a informações técnicas e a identificação de problemas.
No RAS 2025 MRV&CO, o Zé da Obra é apresentado como um assistente virtual criado para apoiar engenheiros e outros profissionais da construção. A ferramenta reúne procedimentos operacionais e documentos normativos para responder a dúvidas sobre a execução de serviços.
Segundo o relatório, a iniciativa busca melhorar a qualidade das obras, reduzir erros e evitar retrabalho. A MRV&CO também relata o uso de IA no processamento de imagens e documentos, automatizando tarefas, e na criação de bases de conhecimento para áreas como engenharia, assistência técnica e compliance.
Essas aplicações mostram que a tecnologia pode contribuir para a produtividade e o acesso a informações durante o desenvolvimento e a construção de imóveis. Ainda assim, as orientações geradas por ferramentas automatizadas precisam ser utilizadas dentro dos procedimentos técnicos aplicáveis e não substituem a responsabilidade dos profissionais envolvidos.
O RAS também informa que o conjunto de iniciativas de inteligência artificial e transformação digital da MRV&CO gerou uma economia estimada superior a R$ 70 milhões em 2025.
O que a inteligência artificial não substitui no mercado imobiliário?
A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de análise e automatizar tarefas, mas não elimina totalmente a necessidade de avaliações individuais, verificações técnicas e decisões humanas. Seus limites ficam mais claros quando a tecnologia é aplicada a uma compra de alto valor financeiro, como a aquisição de um imóvel.
A decisão de compra: a IA pode comparar características, organizar informações e ajudar o consumidor a entender opções disponíveis. A escolha depende, porém, das necessidades, das preferências e da capacidade financeira de cada comprador.
A análise e a aprovação de crédito: modelos automatizados podem apoiar avaliações financeiras e simulações. A aprovação de um financiamento, no entanto, depende dos critérios da instituição financeira responsável, da documentação exigida e da análise das condições do solicitante. Uma estimativa produzida por IA não representa aprovação de crédito nem garante que o comprador conseguirá financiar o imóvel.
A viabilidade de um terreno: ferramentas digitais podem identificar padrões e sinalizar possíveis restrições, mas a avaliação exige estudos técnicos, análise documental, verificação da legislação e, quando aplicável, licenciamento ambiental.
A interpretação de situações específicas: dúvidas contratuais, negociações, problemas na obra e solicitações que envolvem circunstâncias individuais mais específicas podem exigir a atuação de corretores, engenheiros, profissionais jurídicos ou equipes de atendimento.
A responsabilidade pelas decisões: a utilização de inteligência artificial não transfere à tecnologia a responsabilidade das empresas por suas escolhas. Os resultados precisam ser avaliados, e o tratamento de dados pessoais deve respeitar a legislação aplicável, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Qual é o papel da inteligência artificial no futuro do mercado imobiliário?
A inteligência artificial tende a ampliar as possibilidades de automação do atendimento, análise de dados e apoio ao planejamento imobiliário. Na construção civil, também pode facilitar o acesso a informações técnicas e contribuir para identificar falhas e melhorar processos.
O impacto dessas aplicações depende da qualidade dos dados, da atualização dos modelos e da capacidade de avaliar seus resultados. No atendimento ao consumidor, a disponibilidade de canais humanos continua importante para resolver determinadas questões que não possam ser tratadas adequadamente por respostas automatizadas.
Os exemplos apresentados no RAS 2025 MRV&CO, como a Mia e o Zé da Obra, mostram aplicações concretas da tecnologia no relacionamento com clientes e no suporte às equipes de construção.
No mercado imobiliário, em que a compra envolve compromissos financeiros de longo prazo e decisões técnicas complexas, a inteligência artificial funciona como ferramenta de apoio. Ela pode tornar processos mais ágeis e ampliar a capacidade de análise, agilizando processos até momentos que exijam, eventualmente, avaliação profissional e decisão das pessoas e áreas envolvidas.
