A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu mudar a postura do candidato para o debate da TV Globo, marcado para a sexta-feira (23). O novo lema nos bastidores é “mais Tarcísio e menos Marçal”, segundo apuração da âncora Tainá Falcão para o Bastidores CNN desta quinta-feira (22).
A mudança de estratégia ocorre após uma avaliação crítica interna sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro no debate da Band, no último domingo (18).
A campanha entendeu que o candidato ficou excessivamente agressivo e pouco propositivo naquela ocasião, o que teria sido explorado pela campanha adversária para construir uma imagem negativa do senador.
Segundo Tainá, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) está presente no QG de Flávio Bolsonaro e participará pessoalmente dos treinamentos, conduzidos pelo marqueteiro Duda Lima.
A campanha busca, agora, diminuir a influência de Pablo Marçal (PRTB-SP) sobre o estilo do candidato.
Segundo Tainá, Tarcísio já havia manifestado, nos bastidores, preocupação com essa influência e com o quanto ela começou a ser usada contra Flávio pela campanha adversária, que passou a descrevê-lo como “agressivo” e “raivoso”.
Propostas e temas prioritários para o debate
Aliados de Flávio Bolsonaro consideram que ele precisa apresentar mais propostas e demonstrar domínio e profundidade sobre os temas que abordará, além de evitar respostas repetitivas.
A orientação é priorizar críticas ao custo de vida da população e ao endividamento das famílias, além de falar sobre segurança pública e economia, temas que aparecem no topo das preocupações dos brasileiros, segundo as pesquisas.
Na área econômica, Flávio deve abordar programas de renegociação de dívidas de famílias, redução de impostos e corte de gastos, incluindo a promessa de diminuir o número de ministérios em pelo menos dez.
Na segurança pública, o candidato deve falar sobre endurecimento de penas, redução da maioridade penal, combate às facções criminosas e monitoramento por câmeras.
Defesa sobre benefícios sociais e ataques ao adversário
Flávio também deve responder às acusações sobre possíveis cortes em benefícios sociais, que ganharam força após declarações de Daniella Marques sobre um período de transição para o Bolsa Família. A estratégia é continuar negando que o Bolsa Família ou qualquer outro benefício social será extinto.
Outra frente de ataque prevista é a investigação dos desvios do INSS e as suspeitas envolvendo Lulinha.
A preparação também contempla respostas sobre possíveis provocações relacionadas à relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado na Operação Sem Desconto, e sobre áudios trocados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nos quais Flávio pediu dinheiro para o filme “Dark Horse”.

