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O que foi o samba-joia, estilo revelado por Benito di Paula e que ganhou o público falando de amor

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
O que foi o samba-joia, estilo revelado por Benito di Paula e que ganhou o público falando de amor

Com a morte de Benito de Paula no último domingo (18), o samba-joia, estilo revelado pelo cantor nos anos 1970, voltou à tona. Mas o que foi e como era visto essa vertente musical?

O termo era usado muitas vezes de forma pejorativa pela crítica e jornalistas da época para diferenciar o samba com letras mais românticas do tradicional e da MPB. Responsável por inovações como introduzir piano no samba, o cantor, que morreu aos 84 anos, tornou-se a maior referência do samba-joia, seguido por outros nomes que cantavam músicas do tipo e venderam milhões de discos – caso de Luiz Ayrão, 84, Luiz Américo, 82, Agepê (1942-1995), Wando (1945-2012) e Gilson de Souza (1944-2022).

Estouro

A novidade encontrou público em meio à bossa nova, tropicália e outros ritmos que dominavam o país. As letras despolitizadas e focadas no amor que cantores como Benito de Paula e Martinho da Vila cantavam chegaram a ultrapassar Roberto Carlos, 85, nas vendas durante meses. Logo Martinho passou a ser considerado um intérprete de samba tradicional, enquanto Paula seguiu taxado de cantor de samba-joia.

“Retalhos de Cetim” (1973) tornou-se o maior sucesso de Benito, projetando o samba-joia. para o ápice, que foi entre meados dos anos 1970 e 1980. Agepê, outro ícone do estilo, foi o primeiro a vender mais de 1 milhão de cópias com o LP “Mistura Brasileira” (1984).

Benito se tornou o artista de samba-joia mais consumido, com cerca de 50 milhões de cópias vendidas no Brasil. Na época não parecia incomodado com o rótulo, mas teria respondido na letra de “Osso Duro de Roer”: “Deixa essa gente falar/é inveja que eles sentem/ canto mais um samba/que é pra todo mundo ver/a minha bandeira do samba/Deus ajuda a defender”.

Queda

O declínio veio com a ascensão do movimento Cacique de Ramos (que revelou Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Fundo de Quintal e Almir Guineto), trazendo o partido alto para o topo das paradas musicais.

No entanto, o samba-joia serviu de base e matriz para o pagode romântico que estourou nos anos 1990, com referências visíveis em grupos como Raça Negra, Só Pra Contrariar e Katinguelê, apostando em apelo popular e letras sentimentais.

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