Um rebanho de 250 cabras voltou a circular por uma área de proteção ambiental na Espanha, mas não por acaso. Os animais foram levados para o entorno do Parque Natural do Montgó, em Xàbia, na província de Alicante, onde passaram a ajudar no controle da vegetação como parte de uma estratégia de prevenção de incêndios florestais.
A iniciativa de pastoreio ecológico foi retomada pelo município em setembro de 2026, depois de uma experiência-piloto iniciada em janeiro. O objetivo é reduzir a quantidade de vegetação e de biomassa acumulada em determinados trechos, principalmente nas áreas próximas à chamada interface urbano-florestal, onde o monte fica perto de casas e outras construções.
A escolha das cabras está relacionada justamente ao hábito de alimentação dos animais. Ao consumir parte da vegetação, o rebanho ajuda a diminuir a quantidade de combustível vegetal disponível no terreno, um dos fatores que podem favorecer a propagação das chamas.
Como as cabras ajudam a prevenir incêndios?
As cabras percorrem áreas previamente selecionadas e se alimentam de parte dos arbustos, pastos e outras plantas presentes no local. Com isso, a vegetação fica menos concentrada em determinados pontos, reduzindo a quantidade de material que poderia ser consumido por um incêndio.
A estratégia é conhecida como pastoreio controlado e não significa retirar toda a vegetação do parque. A intenção é fazer o manejo de trechos específicos, sobretudo aqueles em que o controle da biomassa pode contribuir para a segurança de áreas habitadas.
A utilização de animais para essa finalidade não é exclusiva de Xàbia. Em março de 2026, a Agência Executiva Europeia do Clima, Infraestrutura e Ambiente destacou projetos que utilizam bovinos, ovelhas e cabras para consumir e pisotear vegetação que poderia servir de combustível para incêndios. Em alguns locais, o pastoreio planejado também é usado para criar faixas com menor quantidade de material inflamável.
As 250 cabras ficam soltas pelo parque?
Não. O rebanho é conduzido de maneira planejada e supervisionada, seguindo as regras estabelecidas para o Parque Natural do Montgó. As cabras não têm acesso a áreas consideradas especialmente sensíveis, como microrreservas de flora e locais onde existem espécies protegidas.
A experiência iniciada no começo de 2026 foi usada para avaliar o pastoreio como uma ferramenta de manejo do território. Com a retomada, o município pretende manter a prática como parte das ações de prevenção realizadas ao longo do ano e estuda a possibilidade de aplicá-la em outras áreas.
O trabalho das cabras, porém, não substitui as demais medidas de prevenção e combate aos incêndios. O rebanho atua antes que o fogo aconteça, reduzindo a vegetação em pontos estratégicos e complementando os trabalhos de limpeza e manejo florestal realizados pelas autoridades.
Assim, uma cena que poderia parecer apenas curiosa, com centenas de cabras circulando por um parque natural, faz parte de uma estratégia usada para manter o terreno sob controle e diminuir a quantidade de material disponível para um eventual incêndio.

