A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo determinou correições no 1° Distrito Policial de Mogi das Cruzes, e na Cadeia Pública, local onde está preso o ex-vereador de São Paulo Milton Leite. O procedimento de fiscalização tem como objetivo verificar a situação dos serviços e rotinas administrativas e operacionais das unidades.
Segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), medidas cabíveis serão adotadas caso irregularidades sejam constatadas.
Nessa sexta-feira (16), o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) cumpriu três mandados de busca e apreensão na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no 1° Distrito Policial local, e em um endereço residencial no município.
De acordo com as investigações, a cadeia pública recebeu um fluxo incessante de visitantes dos presos, muitos deles sem qualquer vinculação familiar, o que destoa das condições de custodiados. O Ministério Público também apura outras regalias incompatíveis com o cárcere.
Durante o cumprimento dos mandados, o Gaeco localizou cerca de R$ 150 mil e US$ 10 mil na casa de um carcereiro. Além disso, durante uma busca na prisão, também foram localizados R$ 4 mil no bolso do agente carcerário.
Segundo o Ministério Público, os fatos podem configurar crimes de corrupção passiva e ativa, além de prevaricação, entre outros.
Defesa de Milton Leite nega regalias à ex-vereador na prisão
A defesa do ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo, Milton Leite, publicou uma nota neste sábado (17) na qual nega que o político esteja recebendo regalias na prisão. Segundo o pronunciamento, o político está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas aos demais custodiados.
Os advogados também afirmam que ainda não tiveram acesso à investigação instaurada pelo MP, muito menos a elementos que a sustentam.
Ligação de Milton Leite
Segundo as investigações, Milton Leite é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas de ônibus controladas pelo PCC.
De acordo com o Ministério Público, há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que afirmam que ex-vereador seria o dono de fato da empresa Transwolf.
Após se entregar, Milton Leite negou ter envolvimento com o PCC e afirmou que provará sua inocência no âmbito do inquérito que investiga sua participação no esquema.
Confira a íntegra da nota:
A defesa de MILTON LEITE DA SILVA, por meio de seus advogados, vem a público esclarecer os fatos noticiados na imprensa em 16/10/2026 a respeito de supostas regalias que ele estaria recebendo na unidade prisional em que cumpre prisão cautelar.
O Sr. MILTON não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados, cumprindo as normas do estabelecimento.
A defesa não teve acesso à investigação instaurada pelo Ministério Público, originada de denúncia anônima, muito menos de qualquer elemento concreto que a sustente. Denúncias dessa natureza devem ser apuradas com cautela, e não podem ser tomadas, antes da devida verificação, como prova de irregularidade.
A defesa respeita o trabalho do Ministério Público e reafirma que tanto o Sr. MILTON LEITE DA SILVA quanto seus advogados estão à inteira disposição para colaborar com a apuração.
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