O acordo firmado entre Donald Trump e Vladimir Putin para importação de óleo diesel russo pelos Estados Unidos foi classificado como “irrisório” do ponto de vista econômico.
A avaliação é de Paulo Filho, professor emérito da Eceme, em entrevista ao WW. Para o especialista, a medida reflete uma tentativa “desesperada” de Trump de reduzir o preço dos combustíveis no país diante de sua crescente impopularidade.
Segundo Paulo Filho, o aumento dos preços dos combustíveis tem elevado a inflação nos Estados Unidos e contribuído para o desgaste político de Donald Trump, especialmente com a aproximação das eleições de midterms.
“É uma tentativa, eu diria, desesperada, de tentar baixar o preço do combustível nos Estados Unidos, que está elevando a inflação e está levando, em parte, causadora dessa enorme impopularidade do presidente Trump”, afirmou.
Quantidade negociada é insuficiente para o consumo americano
O acordo prevê o fornecimento de 4,8 milhões de toneladas de óleo diesel. De acordo com Paulo Filho, 300 mil toneladas seriam entregues imediatamente, e 500 mil toneladas estão previstas para novembro.
O especialista ressalta que, mesmo supondo que todo o volume fosse destinado exclusivamente aos Estados Unidos, as 300 mil toneladas imediatas representariam apenas 0,6% do consumo de um dia do país. “Tudo isso junto, 4 milhões e 800 mil toneladas, não chega a 10 dias de consumo dos Estados Unidos”, destacou.
Causas reais do aumento dos combustíveis
Paulo Filho argumenta que a principal causa do aumento dos combustíveis nos Estados Unidos não é a guerra entre Rússia e Ucrânia, embora esta possa contribuir de alguma forma.
Para ele, os fatores determinantes são as tensões no Estreito de Hormuz, o conflito dos Estados Unidos com o Irã, e o agravamento da situação no estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, envolvendo a milícia houthi do Iêmen e a Arábia Saudita.
“Essa guerra que o presidente Trump tem responsabilidade direta é essa sim, na verdade, que tem aumentado o preço dos combustíveis”, afirmou o especialista.
Trégua anunciada não foi cumprida
O professor também comentou o anúncio de Trump sobre uma suposta trégua entre Rússia e Ucrânia para cessar ataques mútuos contra infraestruturas de energia.
Segundo Paulo Filho, nenhum dos dois lados havia sido previamente consultado sobre o acordo. Logo após o anúncio, a Rússia teria bombardeado instalações energéticas ucranianas.
“É muito ruim a situação do presidente Trump, perde a pouca credibilidade que já tem junto aos ucranianos, se desgasta com seus parceiros europeus e não consegue os ganhos econômicos que ele pretende”, concluiu.

