Enrique Mackenzie viveu experiências traumáticas enquanto fazia parte da instituição da Igreja Católica Opus Dei. Além da rotina regrada e supervisionada pelos superiores, ele precisava se submeter a castigos físicos e psicológicos.
À CNN Brasil, ele contou que, entre os costumes do grupo, estavam longas horas de orações e sacrifícios. “Existem coisas que se chamam mortificação corporal, quando utilizamos um instrumento chamado cilício — uma espécie de aro com pontas que você amarra na perna e usa durante duas horas por dia”.
Mackenzie relatou que eles também usavam uma espécie de chicote enquanto faziam orações. Uma vez por semana, eles precisavam se bater nas costas com o instrumento para cumprir com as regras do Opus Dei.
Explicação oficial
No site da instituição, é esclarecido que as mortificações existem há muitos séculos na Igreja Católica e os santos mais conhecidos e estimados fizeram uso delas.
“O cilício é incômodo — sim, porque, do contrário, não teria razão de ser —, mas de modo nenhum atrapalha as atividades normais de uma pessoa, e muito menos causa sangramentos”, diz o texto.
Rebatendo as cenas que aparecem no filme “O Código Da Vinci” (2006), que retrata o Opus Dei como uma seita, um dos elementos centrais de seu enredo, a organização explica que o jejum, a abstinência, as vigílias, as disciplinas e os cilícios servem para tirar as pessoas da comodidade pessoal.
Expulsão do Opus Dei
Além das obrigações que envolviam castigos físicos, o coach disse que passou por pressão psicológica dentro do grupo — principalmente por ter sido “identificado” como um homem gay e não ter respondido ao tratamento psiquiátrico que fizeram com ele para “curar” o que eles consideravam uma doença.
A maior punição, de acordo com ele, era a culpa moral caso uma das funções não fosse cumprida.
“Aos 14 anos, descobri que gostava de homens e eles enxergavam isso como uma doença mental. Eventualmente, quando viram que eu não me curava, me mandaram para um psiquiatra — membro da mesma organização — que me colocou numa terapia. A homossexualidade foi parte do diagnóstico e aí ele me dava remédios muito fortes. Mas, como essa não é uma doença real, não deu certo e eles me expulsaram da organização”, contou Enrique à CNN Brasil.
O salvadorenho explicou que ficou cerca de sete anos, após deixar o Opus Dei, fazendo terapia para se aceitar como um homem gay.
Série documental
“O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei”, do HBO Max, relata histórias reais de pessoas que passaram pela instituição da Igreja Católica Opus Dei.
Por meio de depoimentos e dramatizações, a produção dá voz a 14 homens de diferentes origens que relatam os abusos espirituais, psicológicos e econômicos que sofreram enquanto faziam parte da estrutura.
Enrique Mackenzie foi uma das pessoas que relataram suas vidas — que estão atravessadas pelas vivências no Opus Dei — na série documental.
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