Escolas, faculdades e universidades foram fechadas nesta segunda-feira (12) em Peshawar, no noroeste do Paquistão, e ruas importantes da cidade foram bloqueadas após o governo federal impor um regime de emergência na província de Khyber Pakhtunkhwa. A medida foi anunciada no domingo (11), quando as autoridades suspenderam o governo provincial.
Imagens feitas nesta segunda mostram contêineres e arame farpado bloqueando o acesso à chamada Zona Vermelha, área de segurança reforçada, enquanto policiais monitoram as ruas. Pedestres e motociclistas precisam passar por estreitas aberturas entre as barreiras, e o trânsito enfrenta congestionamentos.
Um comunicado do vice-comissário de Peshawar determinou o fechamento de todas as instituições públicas e privadas de ensino do distrito durante o dia. Avisos sobre a suspensão das aulas foram colocados nos portões das escolas.
Moradores criticaram as restrições e disseram que os bloqueios dificultam o deslocamento de quem precisa trabalhar ou buscar atendimento médico.
“A medida de bloquear a cidade está causando problemas à população. Algumas pessoas precisam ir ao trabalho, outras ao hospital, e terão de enfrentar dificuldades”, afirmou Mohammad Shahzaibi, morador de Peshawar. Ele criticou a imposição do regime de emergência e defendeu que o governo priorize negociações e alternativas para evitar prejuízos à população.
Outro morador, Mohammad Nouman, afirmou que a suspensão do governo provincial pode agravar a situação de segurança. “O terrorismo vai aumentar ainda mais, porque o sistema que já estava sendo desenvolvido e colocado em prática foi suspenso. O governo foi dissolvido, o Parlamento foi dissolvido”, disse. Segundo ele, a formação de um novo gabinete pode levar de três a quatro meses.
Governo cita violência extremista
O presidente do Paquistão declarou estado de emergência no domingo e suspendeu o governo de Khyber Pakhtunkhwa, província que faz fronteira com o Afeganistão e era administrada por Sohail Afridi, aliado do ex-primeiro-ministro Imran Khan.
O governo federal afirmou que a medida foi necessária porque a administração provincial não conseguiu conter a militância extremista islâmica na região.
O partido de Khan, o Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), rejeitou a justificativa. A legenda afirmou que a decisão busca impedir que apoiadores do ex-premiê organizem uma marcha até Islamabad para pressionar as autoridades a libertá-lo.
Políticos ligados ao PTI foram detidos após a suspensão do governo provincial, segundo o ministro federal da Justiça, Azam Nazeer Tarar, em entrevista coletiva no domingo.
Tarar afirmou que algumas pessoas foram colocadas sob custódia preventiva, medida prevista na Constituição e na legislação do país. Segundo ele, aqueles que forem procurados por envolvimento em crimes serão tratados de acordo com a lei, enquanto os demais serão liberados.
O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, disse que o governo divulgará informações sobre eventuais prisões. “Não temos nada a esconder, portanto, certamente anunciaremos se alguém for preso”, afirmou.
